Nos Embalos do Rei do Rock – “Balada Sangrenta”

    0

    Entrevista exclusiva com Ginger Alden, a última namorada de
    Elvis / Introdução do especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/10/nos-embalos-do-rei-do-rock-entrevista.html

    Ama-me com Ternura:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/12/nos-embalos-do-rei-do-rock-ama-me-com.html

    A Mulher Que eu Amo:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/01/nos-embalos-do-rei-do-rock-mulher-que.html

    O Prisioneiro do Rock:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/04/nos-embalos-do-rei-do-rock-o.html

    É senso comum eleger essa obra como a melhor da carreira
    cinematográfica de Elvis, o próprio afirmava que era o seu trabalho favorito, o
    resultado de uma soma de fatores: a direção competente de Michael Curtiz, a
    impecável fotografia em preto e branco de Russell Harlan, um protagonista com
    conflitos mais complexos, coadjuvantes de alta qualidade, uma trilha sonora no
    nível dos melhores trabalhos do cantor, porém, existe um elemento que eu
    considero o mais importante nessa equação, sintomático da confiança que o
    estúdio depositou no projeto. Pela primeira vez em sua filmografia, o roteiro
    seria adaptado de um livro, “A Stone for Danny Fisher”, escrito por Harold
    Robbins. A despeito de algumas alterações, como a transformação do boxeador em
    um cantor, a trama segue com considerável fidelidade os temas principais.

    kingcreole 4351 - Nos Embalos do Rei do Rock - "Balada Sangrenta"

    Balada Sangrenta (King Creole – 1958)

    Eu consigo imaginar a intensa alegria do cantor, em seus
    primeiros passos nessa nova mídia, ao saber que estava contratado para um papel
    que havia sido pensado inicialmente para seu ídolo James Dean. O produtor Hal
    Wallis estava disposto a desafiar qualquer pré-julgamento debochado da parcela
    do público que ainda se mostrava reticente com o artista, então fez questão de
    preparar o melhor cenário possível, colocando a direção nas respeitáveis mãos
    de Curtiz, de “A Canção da Vitória”, “Casablanca” e tantos outros filmes celebrados
    pela crítica e abraçados pelo público. E, numa atitude injusta, mas, comum até
    hoje com artistas populares, a crítica norte-americana se viu tendo o aval para,
    enfim, engolir o preconceito e aplaudir sem medo a atuação competente do jovem.

    Danny (Presley) está insatisfeito com a situação miserável
    de sua família. Ele acredita que o pai (Dean Jagger), um conformista incapaz de
    se manter em um emprego, é o culpado pelos problemas financeiros. Um homem
    iletrado que somente enxergará o filho como alguém respeitável no dia de sua
    formatura. O jovem sente mágoa por entender que não será motivo de orgulho por
    suas atitudes, mas, sim, por um diploma emoldurado na parede. Em uma das cenas
    mais interessantes, uma discussão entre pai e filho, o jovem dispara: “Você vai
    pra escola, eu vou sair e ganhar uns trocados”
    . Ele persegue seu sonho, sua
    real vocação artística, trabalhando em qualquer emprego que o mantenha no
    caminho da inspiração. E, num desses serviços, ele acaba atraindo a atenção de
    um gângster (Walter Matthau) e de sua protegida (Carolyn Jones), a sensual antítese
    de sua comportada namorada (Dolores Hart). A revolta e a necessidade financeira
    fazem com que ele se sinta atraído pela proposta sombria do homem, ativando um
    conflito interno que conduz a um emocionante desfecho, ao som da balada “As
    Long As I Have You”, composta por Fred Wise e Ben Weisman. “Aceite o amor que
    eu ofereço, e, dessa forma, terei tudo, enquanto eu tiver você”
    . A canção é
    apresentada como a declaração de amor ao pai, que, pela primeira vez, com
    inegável orgulho, prestigia o trabalho do filho.

    A poderosa trilha sonora inclui versões viscerais do puro
    rock and roll em “Hard Headed Woman” (Claude Demetrius) e “King Creole” (Jerry
    Leiber/Mike Stoller), além do blues de “New Orleans” (Tepper/Bennett)e “Crawfish” (Wise/Weisman), mas, sem dúvida, o destaque vai
    para “Trouble” (Leiber/Stoller), que alguns críticos musicais consideram uma
    das influências para o futuro punk rock, com Elvis rosnando: “Se você está
    procurando encrenca, olhe bem na minha cara”
    . Não foi coincidência essa canção
    ser escolhida como a abertura do especial televisivo, realizado em 1968,
    simbolizando sua relevância musical e sua atitude rebelde numa sociedade mais
    cínica, mostrando que ele ainda era tão perigoso quanto no início de sua
    carreira.

    A Seguir: “Saudades de Um Pracinha” (G.I. Blues)

    RECOMENDAMOS


    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here