“O Monstro do Mar” e “Godzilla” (1954)

    0

    O Monstro do Mar (The Beast from 20,000 Fathoms – 1953)

    Como resultado de um teste nuclear no Ártico, um carnívoro
    dinossauro desperta e segue em direção à costa Norte-Americana. Testemunha de
    sua existência, o desacreditado Professor Tom Nesbitt tenta convencer o
    paleontólogo Thurgood Elson dos perigos que a criatura pode trazer ao país.

    Para calcular a importância dessa obra, basta mencionar que
    foi o primeiro grande trabalho de Ray Harryhausen, o cartão de apresentação
    pioneiro que demonstrou para o mundo o potencial dele com a técnica stop motion,
    em uma trama que apresentava o primeiro monstro gigante nascido de explosões
    nucleares, um conceito que viria a influenciar diversos filmes, especialmente o
    marco no gênero: “Godzilla”. A imponência visual do monstro era algo que o
    público nunca tinha presenciado na tela grande, e seus imitadores nunca
    chegaram a igualar a qualidade de sua composição. O ataque do Rhedossauro em
    Nova York, no terceiro ato, com a utilização eficiente de maquetes, continua
    encantando pela devoção artesanal, que sobrepujou o baixo orçamento. O roteiro,
    baseado em conto de Ray Bradbury, é simples, mas é compensado pela direção segura
    de Eugène Louiré, que viria a ser diretor de arte do clássico “Luzes da Ribalta”,
    de Chaplin.

    Mnst Gojira 13 event - "O Monstro do Mar" e "Godzilla" (1954)

    Godzilla (Gojira – 1954)

    Um gigantesco réptil mutante surge em virtude de testes
    nucleares. A monstruosa criatura cria um rastro de destruição no seu caminho
    até Tóquio, que corre o risco de ser totalmente destruída.

    A meu ver, o monstro mais famoso do cinema só funciona em
    preto e branco. As sombras combinam perfeitamente com a alegoria que o original,
    dirigido por Ishirô Honda, defendia com seriedade. Uma trama que incita
    reflexões complexas, profundamente depressivas, sobre o impacto psicológico do
    desastre nuclear de Hiroshima e Nagasaki no povo japonês, evento que havia
    ocorrido apenas dez anos antes da produção. Os filmes posteriores são diversão
    descompromissada infantil, bobagens muito distantes da beleza de cenas como a
    do coro de crianças entoando um hino à paz, enfrentando com honra a possível
    destruição. É o momento pungente em que o véu da metáfora cai, revelando as
    cicatrizes abertas da nação. Vale destacar, no elenco, a presença marcante do
    grande Takashi Shimura, parceiro frequente de Kurosawa.

    CC 129 GODZILLA ORIGENS Aberto 700x394 - "O Monstro do Mar" e "Godzilla" (1954)

    * Os filmes estão sendo lançados, em DVD, com ótimos
    documentários, pela distribuidora “Obras Primas do Cinema”, na caixa “Godzilla –
    Origens”, que conta ainda com a versão americana, intitulada “Godzilla – King of
    The Monsters”, com Raymond Burr, o assassino de “Janela Indiscreta”, vivendo um
    jornalista, inserido numa versão editada do original.

    RECOMENDAMOS


    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here