Rebobinando o VHS – “Operação Kickbox”

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    Link para os textos do especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/rebobinando-o-vhs.html

    Robert Radler, um diretor reconhecido por seus filmes de
    ação, que dá palestra no TED, e que, recentemente, lançou um documentário
    intitulado “Turn it Up”, celebrando a história da guitarra elétrica. Só por
    essa trajetória esquisita, ele já merece ser lembrado nesse especial.

    11720 MLB20048825248 022014 O - Rebobinando o VHS - "Operação Kickbox"

    Operação Kickbox (Best of The Best – 1989)

    A equipe americana de Kickbox se prepara para enfrentar seus
    rivais coreanos. Durante o exaustivo treinamento, eles se unem cada vez mais,
    mas também enfrentam dúvidas pessoais sobre a competição. O grupo americano formado
    pelos melhores atletas deve competir representando seu país nas fases finais do
    campeonato mundial de karatê em Las Vegas.

    O filme é tão interessante quanto sua sinopse deixa
    transparecer. Faço questão de iniciar citando uma das frases mais impactantes
    da trama, dita pela bela treinadora assistente, Sally Kirkland, boa atriz, afilhada
    de Shelley Winters, porém, em péssimo momento: “Vencer não é uma coisa de
    momento. Vencer é uma coisa de sempre”. E, devido à intensidade filosófica
    desse profundo ensinamento, ela faz questão de revelar que não é de sua
    autoria, mas, sim, de Vince Lombardi, um treinador campeão do Super Bowl. Sentiu
    a qualidade do material? Coitada da atriz, sendo colocada para quebrar tijolos
    empilhados, quando deveria, na realidade, quebrar tijolos na cabeça de seu
    agente, já que havia acabado de ganhar um Globo de Ouro, três anos antes, pelo
    drama: “Anna”. Mas ela não era a única que precisava pagar suas contas
    atrasadas. Temos no elenco o Chris Penn, irmão do Sean Penn, vivendo um
    kickboxer, além do James Earl Jones, como uma variação do mesmo James Earl
    Jones de sempre, brincando de Bernardinho, técnico cabeça quente, disposto a
    extrair o melhor de seus atletas. Como se a desgraça fosse pouca, a produção
    ainda conta com o Paul Gilman, responsável por uma das piores trilhas sonoras
    no gênero. Ele foi trocado no segundo filme, que consegue ser ainda pior que o
    primeiro, pelo David Michael Frank, um profissional mais experiente, com várias
    trilhas de filmes B de ação na bagagem, como os primeiros trabalhos do Steven
    Seagal.

    Na marca dos vinte minutos, quando os lutadores estão
    batendo aquele papo trivial, soltando piadinhas tolas e conhecendo os quartos
    onde eles irão ficar alojados, você já acha que vai morrer de tédio, com o
    roteiro tentando nos fazer acreditar que os personagens vazios possuem algum
    carisma, uma conexão emocional que simplesmente não funciona. Essa sequência miserável,
    em suma, é uma versão condensada do início de qualquer reality show. As
    coreografias das lutas urbanas, fora do campeonato, são medonhas, com oponentes
    apanhando de chutes e socos que sequer chegaram perto dos rostos, um erro tosco
    de enquadramento. É nesse momento que você sente falta dos excelentes filmes dos
    Shaw Brothers. O protagonista, Eric Roberts, alguém que claramente é um artista
    marcial fake, que caiu de paraquedas no gênero, não saberia trocar pontapés com
    uma criança. Chega a ser cômica a forma como as coreografias em suas cenas são
    trabalhadas com base em sua limitação, o que, excetuando as óbvias utilizações
    de um dublê, conduz a várias sequências de exibições de técnicas femininas
    básicas de prevenção de estupro. Até o Van Damme, em essência, um bailarino
    carismático, é mais lutador que ele.

    Essa fita poderia muito bem estar mastigada, ou até
    desmagnetizada, que não faria diferença alguma.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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