Hércules, Sansão e Ulysses (Ercole sfida Sansone – 1963)

O poderoso Hércules sai em busca de Sansão para entregá-lo aos Filisteus em troca de seu amigo Ulysses, que foi capturado. Depois de tentarem combater, os heróis acabam unindo forças para salvar a Grécia das mãos dos filisteus, lutarem contra um monstro do mar e assim salvar a nação grega.

Quando se pensa em adaptações de gêneros cinematográficos pelos italianos, somos conduzidos diretamente ao Spaghetti Western, que, de tão interessante, acabou influenciando o faroeste pós-John Wayne que seria feito no cinema americano, porém, poucos se lembram dos peplum, uma variação de baixo orçamento dos filmes “espada e sandálias” que eram feitos em Hollywood.

Os protagonistas eram fisiculturistas que não sabiam recitar duas linhas de diálogo com um mínimo de naturalidade, envoltos em uma ambientação de Grécia antiga, em que, vez ou outra, o enquadramento deixava à mostra linhas de energia no horizonte.

O astro de “Hércules, Sansão e Ulysses”, no papel do primeiro, é Kirk Morris, no original, Adriano Bellini, que chamou a atenção dos produtores italianos por se parecer bastante com Elvis Presley. Ele defende com empenho uma das cenas mais incríveis do primeiro ato, o épico embate com o temível monstro marítimo, que, na realidade, era uma foca filmada de perto.

Esse filme é perfeito para assistir com um grupo de amigos, já que são muitos os momentos de humor involuntário. Cinema também é diversão descompromissada, o que esse projeto entrega com louvor. Como não admirar a beleza da maravilhosa Dalila vivida por Liana Orfei, que hipnotiza o público em uma cena de dança? A temática da obra já chama a atenção, prometendo o embate entre Hércules e o herói bíblico Sansão, algo como unir, numa mesma trama, Hórus, Osíris e Jesus.

No mínimo, o roteiro merece menção pela ousadia de colocar o mitológico grego naufragando convenientemente na Palestina. A direção é de Pietro Francisci, experiente no gênero, que consegue trabalhar as cenas com um charmoso senso de aventura adolescente. Ulysses, vivido por Enzo Cerusico, tal como sua contraparte homérica, contrasta fisicamente com os outros dois heróis, ele é um filé de grilo muito espirituoso e sagaz.

E sempre me impressiono, quando revejo o filme, com as mulheres gregas que, literalmente, passam os dias inteiros nos rochedos, olhando languidamente para o mar, aguardando o retorno de seus amantes. Um peplum muito divertido.

* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora “Classicline”.

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