Nos Embalos do Rei do Rock – “Saudades de Um Pracinha”

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    Entrevista exclusiva com Ginger Alden, a última namorada de
    Elvis / Introdução do especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/10/nos-embalos-do-rei-do-rock-entrevista.html

    Ama-me com Ternura:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/12/nos-embalos-do-rei-do-rock-ama-me-com.html

    A Mulher Que eu Amo:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/01/nos-embalos-do-rei-do-rock-mulher-que.html

    O Prisioneiro do Rock:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/04/nos-embalos-do-rei-do-rock-o.html

    Balada Sangrenta:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/07/nos-embalos-do-rei-do-rock-balada.html

    Elvis havia conseguido provar aos críticos seu talento como
    ator em seu filme anterior: “Balada Sangrenta”, mas perdeu dois anos sendo
    domado, acorrentado ao serviço militar, longe de seu público. O cenário musical
    havia mudado bastante, Chuck Berry estava preso, Little Richard estava num
    monastério, Buddy Holly estava morto. O jovem viu a necessidade de se
    reinventar enquanto artista, expandindo seu carisma para além da atitude
    roqueira, demonstrando abrangência vocal ao entoar a operística “It’s Now or
    Never” (O Sole Mio) e abraçando o tipo de produção cinematográfica que poderia
    se encaixar perfeitamente ao estilo de seu ídolo Dean Martin, a comédia musical
    romântica. Com “Saudades de Um Pracinha”, Elvis deixou o nicho de rebeldia
    adolescente e conquistou um público que era formado por crianças, pais e avós.

    G.I. Blues USA press still 60 color 02 - Nos Embalos do Rei do Rock - "Saudades de Um Pracinha"

    Saudades de Um Pracinha (G.I. Blues – 1960)

    Tulsa McLean (Elvis) é umsoldadocujo
    maiorsonhoé ser dono de um “Night Club”. Para conseguir o
    valor emdinheiropara que ele possa abrir o seu empreendimento, ele
    aceita participar de uma aposta, onde, na qual, ele deve passar
    umanoitecom uma bailarina famosa (Juliet Prowse) no local, porém,
    os dois acabam se apaixonando.

    Com o sucesso avassalador de “Ama-me Com Ternura” (Love Me
    Tender – 1956), uma produção de baixo orçamento, os estúdios perceberam que
    havia um forte potencial financeiro nos projetos direcionados aos adolescentes
    americanos. Os produtores entenderam o clamor dos jovens, interessados
    principalmente em retirá-los de frente da televisão, essa invenção que estava
    tirando o sono dos executivos de cinema, focando toda atenção nesse cantor
    extremamente carismático que os levava a assistir diversas vezes suas
    produções, qualquer que fosse o nível do entretenimento em que estivesse
    inserido.

    “G.I. Blues” era o quinto filme na carreira do cantor, um
    retorno muito aguardado pelos fãs e curiosos, algo que motivou até mesmo um
    especial televisivo onde Frank Sinatra se encarregava de dar as boas-vindas ao
    pracinha roqueiro. A Paramount não poupou despesas, aceitando o risco de que os
    jovens americanos já não estariam mais tão interessados no rapaz de Tupelo,
    Mississippi. O produtor Hal Wallis se encarregava de filmar algumas locações na
    Alemanha, enquanto Presley ainda tinha seis meses de serviço militar pela
    frente. O investimento era considerável, acreditando que a ausência do astro na
    mídia durante aquele longo tempo teria servido para aumentar o mito do artista.
    O diretor escolhido foi o veterano Norman Taurog, que havia sido um dos responsáveis
    pelo clássico “O Mágico de Oz”, além de ter comandado comédias de Bing Crosby e
    da dupla Martin/Lewis, como “O Meninão” e “O Rei do Laço”. Em entrevistas à
    época das filmagens, o diretor louvava a educação do jovem e sua sensibilidade
    como bom ouvinte, qualidade essencial de um bom ator. Sua relação com Elvis foi
    tão bacana que ele acabaria dirigindo mais oito produções protagonizadas pelo Rei
    do Rock.

    O conceito inicial previa uma comédia musical com uma trilha
    sonora que abraçasse diversos gêneros, evidenciando a versatilidade de um
    cantor que havia aprimorado bastante seu talento desde seus primeiros
    escandalosos rebolados em rede nacional. Com impecável entrega, Elvis revisitou
    o rock embrionário de Carl Perkins “Blue Suede Shoes”, o rockabilly diluído de “Shoppin’
    Around”, o bate-estaca divertido de “Frankfurt Special”, a balada romântica em “Doin’
    the Best I Can” e “Pocketful of Rainbows” (de Ben Weisman e Fred Wise), e,
    versátil como nunca antes, foi da música de ninar “Big Boots” a uma versão da
    clássica opereta “Barcarola” de Jacques Offenbach: “Tonight’s So Right For
    Love”, passando com desenvoltura por “Wooden Heart”, baseada em uma tradicional
    canção folclórica alemã, além da marchinha militar “Didja Ever” que finaliza a
    obra, sempre com um sorriso contagiante no rosto. É interessante notar o
    gradativo desinteresse do astro ao longo de sua década dedicada quase que
    exclusivamente à Hollywood, especialmente após 1965, onde era cada vez mais
    raro perceber alegria genuína em suas atuações. A ótima seleção musical é encabeçada
    por “G.I. Blues”, uma das pérolas subestimadas de Elvis na década de sessenta,
    especialmente o registro do sexto take, a versão que deveria ter sido a master,
    lançada comercialmente em uma caixa de CD’s alguns anos atrás.

    Vale destacar a ótima fotografia, de Loyal Griggs,
    responsável também pela obra-prima “Os Brutos Também Amam”. O filme foi um
    sucesso de bilheteria, tendo recebido críticas favoráveis e até uma importante
    indicação ao “Writers Guild of America”, como “Melhor Roteiro de Musical”, além
    da indicação ao Grammy como “Melhor Trilha Sonora”. A parceria em cena com a
    bela dançarina Juliet Prowse pode ser considerada apenas um degrau abaixo da
    química que ele alcançaria anos depois com Ann-Margret em “Amor a Toda
    Velocidade” (Viva Las Vegas – 1964). Ela era namorada de Frank Sinatra na
    época, o que não intimidou o jovem, que teve um caso com ela durante as
    filmagens. Era indiscutível que aquele garoto rebelde que havia revolucionado o
    mundo com sua música havia se tornado um adulto sofisticado, um genro que toda
    mãe gostaria de ter. Mas essa constatação não diminui o brilho de seu carisma
    em cena, capaz de carregar nas costas uma produção.

    A Seguir: “Estrela de Fogo” (Flaming Star)

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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