“Procurando Sugar Man”, de Malik Bendjelloul

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    Procurando Sugar Man (Searching for Sugar Man – 2012)
    O artista vive do material que nasce de seu sacrifício
    diário, ele se alimenta do resultado lúdico de sua total entrega emocional, uma
    espécie de vampiro autossuficiente. O sucesso, o lucro, os aplausos, são mais
    benéficos àqueles que se modificam ao experimentarem o produto, os receptores
    generosos e dedicados que aprenderam cedo em suas vidas a importância
    essencial do acúmulo de cultura, especialmente quando se percebem inseridos,
    padronizados numa linha industrial de pensamento, em uma sociedade que se perde
    cada vez mais na mediocridade narcisista do materialismo imediatista. O
    reconhecimento de um artista é apenas a forma mais justa de gratidão para com
    aqueles que verdadeiramente pavimentam a estrada criativa que inspira os seres
    humanos em suas realizações mais nobres.

    Sixto Rodriguez, por muitos anos, acreditou ter sido
    irrelevante, totalmente desconhecido em seu país de origem, mas, na África do
    Sul, ignorava que era um músico idolatrado e que vendeu mais que Elvis Presley,
    responsável, com suas letras, por catalisar modificações políticas e
    comportamentais significativas nesse povo tão distante de sua realidade. Após
    dois discos que fracassaram em vendas na década de setenta, ele, com a
    integridade daqueles que não vivem de uma imagem mentirosa, continuou
    trabalhando, encontrando formas de ser útil à sua comunidade e, de forma
    modesta, pagar suas contas mensais. Sua mão calejada, o fruto de seus trabalhos
    como pedreiro, toca a guitarra com a delicadeza de um poeta; ele se transforma já
    nos primeiros acordes; morre a dura realidade e desperta o sonho.

    O diretor Malik Bendjelloul consegue executar essa história
    fantástica em um ritmo preciso, sem pretensiosa gordura extra, como os melhores
    documentários, numa escalada de emoção que conduz a uma catarse inesquecível em
    seu desfecho. É lindo enxergar nos olhos desse filósofo a recusa em aceitar os
    mimos provenientes de seu resgate artístico, buscando compreender o que mudou
    no mundo, já que ele seguia sendo o mesmo.

    * O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora “Versátil”,
    em parceria com a “Livraria Cultura”, em uma ótima edição, com um rico documentário,
    entrevistas e até um trecho de uma apresentação contemporânea do artista. 

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