“Endorfina”, de André Turpin

    0

    Endorfina (Endorphine – 2015)

    Simone, aos doze anos, testemunhou o brutal assassinato da
    mãe, uma experiência que abala profundamente sua psique. Analisando
    essencialmente a percepção do tempo, o roteiro atravessa três fases de sua
    vida, numa espécie de looping que embaralha eventos e personagens.

    A sua versão
    adulta defende o leitmotiv da analogia entre o registro cinematográfico e a
    vida, uma ideia trabalhada de forma bastante didática no primeiro ato, porém,
    esquecida em certo ponto da trama. Pra início de conversa, a despeito de um
    tema com tremendo potencial, a execução desse filme é um imbatível antídoto pra
    insônia. Existem exemplos de obras similares em complexidade no gênero, como o
    pouco citado: “Primer”, que conseguem elaborar um quebra-cabeça fascinante,
    onde, ao final, o espectador se sinta plenamente satisfeito, mesmo que não
    tenha compreendido boa parte da história. Você se sente intimado a rever, pelo
    prazer da experiência de ser intelectualmente estimulado, algo cada vez mais
    raro no cinema.

    “Endorfina”, por outro lado, joga peças de um enredo altamente confuso, sem
    desenvolver sequer medianamente qualquer arco narrativo, causando apenas
    irritação. Um equívoco básico: não conhecemos minimamente a protagonista,
    consequentemente, não nos importamos com ela. Como a narração é um recurso
    amplamente utilizado, esse equívoco é fatal, transformando todo o segundo ato
    em uma palestra chata sobre astrofísica, comandada por alguém sem carisma e
    senso de palco. O diretor André Turpin demonstra claramente não ter noção do caminho
    que quer seguir, conduzindo a cenas de um hermetismo tão absurdo que causam
    risos involuntários.

    RECOMENDAMOS


    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here