“Love and Mercy”, de Bill Pohlad

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    Love and Mercy (2014)

    A opção por inserir, já nos créditos iniciais, um medley das
    canções mais famosas dos Beach Boys, num trabalho de reconstituição de época
    primoroso, sinaliza o tom da obra, uma celebração merecida, disponibilizada
    para uma geração tão carente de música de qualidade.

    As atuações de Paul Dano e John Cusack, impecáveis, resultam em uma faceta
    tridimensional de Brian Wilson, o genial compositor que, em seu auge, sentia
    verdadeiro tesão pelo trabalho artesanal no estúdio, mas odiava aparecer em
    público. A estrutura é o convencional em uma cinebiografia, com inserções
    constantes de flashbacks, mas, ressaltando algo pouco usual, as duas fases são
    igualmente bem executadas. Jovem, nos bastidores de sua canção: “God Only
    Knows”, ele sofre a insensibilidade de um pai estúpido, incapaz de captar a
    música do filho como a sua forma mais sincera de expressão.

    É fascinante perceber como ele, tão novo, sem zelo excessivo pela sua
    composição, enxerga a beleza no erro de um músico na gravação, recomendando que
    ele erre novamente. Em sua busca por um som experimental que rivalizasse com o
    trabalho dos Beatles, ele sabia que teria que estar aberto à mágica da
    casualidade, a matéria-prima de praticamente todas as grandes realizações
    humanas. Um dos maiores acertos da produção é dedicar tempo generoso ao aspecto
    mais importante de seu homenageado, a sua capacidade criativa, sem apelar para
    a emoção barata ou forçar a mão nos problemas pessoais. Quando ele, adulto,
    abre seu coração para sua namorada, vivida pela bela Elizabeth Banks, em uma
    mesa de restaurante, a câmera sutilmente mostra seu rosto fragmentado no
    espelho. Esses pequenos detalhes revelam tudo o que precisamos saber sobre o
    personagem.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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