O Grande Dragão Branco (Bloodsport – 1988)

Antes de percorrer com maior atenção as pérolas dos Shaw Brothers, as obras de raiz, nesse especial, eu não poderia deixar de incluir este trabalho protagonizado por Jean-Claude Van Damme, responsável, junto de Bruce Lee e Jackie Chan, por meu apreço pelo gênero.

Hoje pode ser alvo de zombaria, mas no auge da era das videolocadoras, reinava supremo dentre os mais alugados. Aos olhos de uma criança que ainda não conhecia o MMA, a pancadaria franca exibida no torneio secreto Kumitê, aquela troca de chutes, era a evolução natural dos rounds disputados por Rocky Balboa.

A coreografia das lutas que misturavam Ninjutsu, Capoeira, Sumô, Full Contact, Muay Thai, Boxe Tailandês, Kung-Fu (e variações, como o Drunken e o Monkey Kung-Fu), Taekwondo e uma boa dose de movimentos plasticamente bonitos que só funcionam quando captados no ângulo certo pela câmera, como o hoje icônico chute 360 graus, eram um convite
para qualquer moleque sair arriscando repetir nas reuniões com os coleguinhas.

Em uma época sem internet, a diversão era tentar aquela abertura de pernas nas festinhas de aniversário, o que resultava, inevitavelmente, em cadeiras quebradas e dores pelo resto da semana. O filme, dirigido por Newt Arnold, assistente de direção em títulos como “O Poderoso Chefão 2” e “Blade Runner”, mantém até hoje o seu frescor, ajudado por uma inspirada trilha sonora de Paul Hertzog e um roteiro sem gordura extra, escrito por Sheldon Lettich, que depois seria responsável pelo roteiro de “Rambo 3” e pela direção de “Leão Branco – O Lutador Sem Lei”.

Como não se empolgar escutando “Fight to Survive”, cantada por Stan Bush, que emoldura a montagem de lutas no torneio? O principal mérito é a presença de uma ameaça verdadeiramente carismática, o impiedoso Chong Li, vivido pelo grande Bolo Yeung, alguém que impõe medo apenas com seu olhar doentio, um personagem que se mostra um psicopata sem qualquer traço de empatia.

Por outro lado, como não simpatizar com o boa praça Frank Dux? Van Damme colabora com seu carisma habitual, seu grande diferencial enquanto lutador marcial de cinema, compondo uma figura heroica diferente do que Hollywood entregava à época. Ele não era um combatente de guerra, ou um lutador movido por um código de honra, ele simplesmente queria provar que era capaz de evoluir em sua arte, honrando o nome de seu falecido mestre. O maior desafio, seu teste de fogo, foi manter seu controle emocional, após ver seu amigo sendo destruído, desmoralizado na arena.

Quando ele silencia, focando seus sentidos, imerso no calor da batalha final, a sua mente prova que todos os ensinamentos estavam apenas aguardando serem ativados na hora certa, tudo que ele precisa é ignorar o medo, único elemento que Chong Li, um showman, sempre utiliza para desequilibrar seus oponentes antes mesmo do início das lutas.

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Viva você também este sonho...

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