come drink with me 1966 - Kung-Fu Fighting - "O Grande Mestre Beberrão" / "Combate Mortal"

 

O Grande Mestre Beberrão (Da Zui Xia – 1966)

Hoje a indústria norte-americana celebra fortes
protagonistas, heroínas que não dependem dos homens, mas “O Grande Mestre
Beberrão”, dirigido por King Hu, já fazia isso em meados da década de sessenta,
antes mesmo das personagens duronas de Pam Grier nos blaxploitations
setentistas. A temida Andorinha Dourada, vivida pela dançarina Cheng Pei-Pei,
está em missão quase suicida para libertar seu irmão das mãos de um poderoso
opositor do governador. Ela recebe a ajuda do misterioso Gato Beberrão, um lobo
em pele de cordeiro que a protege nas sombras, um mestre poderoso que se
posiciona publicamente como um mendigo que ganha uns trocados com a música que
faz ao lado de crianças órfãs. Utilizando a técnica de dança da heroína na
coreografia das lutas, Hu consegue elaborar um estilo elegante, onde cada
movimento é friamente calculado, um contraponto interessante ao estilo despretensioso
do bêbado, que é tão competente, que consegue fingir que não há disciplina
alguma. O momento em que ele chupa o veneno de um ferimento no busto dela, cena
ousada pra época, emoldurada pela idílica floresta onde ele mora, denota a
história de amor que nunca é colocada em primeiro plano. O filme tem
importância fundamental na história do gênero, influenciando tudo o que foi
produzido desde então, e segue eficiente como em sua época.

 

The Crippled Avengers - Kung-Fu Fighting - "O Grande Mestre Beberrão" / "Combate Mortal"

 

Combate Mortal (Can Que – 1978)

Conhecido internacionalmente como “Crippled Avengers”, esse
é um dos mais famosos projetos dos Shaw Brothers. A premissa é muito
interessante, a união de lutadores com algum tipo de deficiência, adaptando
seus estilos para se beneficiarem com aquilo que os diferencia dos oponentes.
Mas, assim como ocorreu nesse especial com “A Câmara 36 de Shaolin”, outro
marco no gênero, eu preciso salientar que considero o filme bem fraco, ainda
que seja dirigido pelo mestre Chang Cheh. Até mesmo as lutas, longas em excesso
e sem impacto, sofrem com a coreografia muito marcada, quase uma apresentação
de circo, o que é prejudicado por um roteiro confuso e incoerente que falha em
estabelecer minimamente bem os personagens na trama. Como não sentimos empatia
por eles, os combates ficam ainda mais frios. Chega a ser difícil discernir
quem é quem, já que são todos tiras de cartolina ambulantes, com roupas e
rostos semelhantes. A razão que leva o vilão a sair desmembrando seus inimigos
é impressionantemente tola. Logo na primeira sequência, um pai acaba de ver sua
esposa e seu filho com as pernas e braços extirpados, chorando desesperados, mas
não tem reação alguma, o riso involuntário passa a ser então uma constante. O
filme está nesse especial apenas como curiosidade exótica, que ganha alguns
pontos pela forma criativa como as deficiências são trabalhadas de forma
prática nas lutas.

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Viva você também este sonho...

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