a geisha  1 jf detail main detail main thumb - O Cinema de KENJI MIZOGUCHI - "Os Músicos de Gion" e "A Mulher Infame"

Os Músicos de Gion (Gion Bayashi – 1953)

Pós-guerra, distrito de Gion em Kyoto. A mulher da vida Miyoharu aceita Eiko, de apenas 16 anos, como aprendiz.

Com a morte da mãe, uma adolescente se vê obrigada a trilhar o mesmo caminho dela, tornando-se uma mulher da vida, como forma de fugir do tio, o elo com o conceito familiar, alguém que estava disposto a fazer a menina pagar pelo funeral com sua pureza.

Novamente, Mizoguchi aborda a questão da representatividade da mulher na sociedade japonesa, o conflito entre a tradicional submissão/exploração e o aflorar dos impulsos naturais por uma individualidade livre de rituais predeterminados. Ao procurar o treinamento com a experiente Miyoharu, uma relação tratada inteligentemente pelo roteiro com bastante ternura, com alguns enquadramentos sugerindo até mesmo um corajoso romance, ela decide forjar sua resiliência injetando um elemento novo na equação desgastada, a recusa de se deitar com homens que ela não considera interessantes, além da insinuação de que qualquer abuso cometido contra uma mulher da vida deveria ser punido por lei, um pensamento revolucionário para a época. Eiko encontra a voz de sua resistência, rejeitando a ideia de ter um generoso patrocinador.

Quando seu pai aparece endividado e implorando por dinheiro, sem se preocupar com a origem do mesmo, a jovem percebe que sua função não a fez ser menos decente.

uwasa no onna still - O Cinema de KENJI MIZOGUCHI - "Os Músicos de Gion" e "A Mulher Infame"

A Mulher Infame (Uwasa no Onna – 1954)

Kyoto, anos 50. Uma jovem entra em conflito com a mãe.

Em sua execução, o filme menor da caixa, o único que eu não havia visto, comprova que até mesmo em um momento menos inspirado o mestre japonês conseguia emocionar.

Retomando o tema das mulheres da vida após alguns projetos mais fabulescos, o roteiro foca na filha, vivida por Yoshiko Kuga, que, após anos de estudo de piano na cidade grande, retorna para casa e entra em confronto com a mãe, estupenda Kinuyo Tanaka, orgulhosa dona de um bem-sucedido ambiente profissional para estas mulheres, ocupação que representa para a jovem uma tradição vergonhosa, além de ter sido o motivo que fez com que o homem que amava a abandonasse.

O figurino e o corte de cabelo remetem a uma jovem Audrey Hepburn, simbolizando a ocidentalização da menina. A postura dela causa revolta nas mulheres do local, que trabalharam para pagar esse refinamento, uma educação que elas conscientemente sabem que nunca terão.

O tom é menos melancólico do que os seus outros projetos no tema, mas a repetição do discurso é trabalhada com pouca criatividade.

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Viva você também este sonho...

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