TOP – 2011

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    1 – Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris), de Woody Allen

    “… Woody, demonstrando uma fascinante lucidez, desconstruiu o senso
    nostálgico que embeleza tudo o que toca, evocando elementos da ficção científica, com uma ternura encantadora que me remeteu ao seu “A Rosa Púrpura do Cairo”. Ao optar por fazer a viagem no tempo executada pelo protagonista representar a constatação de que o passado, por mais fascinante que seja, não era tão perfeito como ele havia idealizado, o roteiro evidencia a importância do indivíduo buscar a satisfação plena em sua própria realidade. Uma visão madura e emocionante de um cineasta que se recusa a abraçar o conformismo criativo…”

    The Skin I Live In 2011HERO - TOP - 2011

    2 – A Pele Que Habito (La Piel Que Habito), de Pedro Almodóvar

    “… Uma homenagem ao clássico “Os Olhos Sem Rosto”, de Georges Franju. Quando o personagem vivido por Antonio Banderas adentra sua
    mansão, ocorre algo imperceptível aos olhos do cinéfilo menos atento: ele se
    encaminha para o quarto da vítima, porém rapidamente rejeita tal escolha,
    analogamente uma rejeição à sua condição natural, e segue para o quarto ao
    lado, onde continua a espioná-lo pela câmera. Outro exemplo de que nada é por
    acaso em obras de qualidade: a câmera segue a mão de Banderas, que pega um
    controle remoto num criado-mudo. O momento dura frações de segundo, mas ao lado
    do controle encontra-se um livro coerente à abordagem do diretor: “O Gene
    Egoísta” de Richard Dawkins, que apresenta uma teoria que explica a evolução
    das espécies na perspectiva do gene e não do organismo, renovando o Darwinismo, que vê os genes como simples veículos através dos quais os
    organismos se reproduzem…”

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    3 – Cisne Negro (Black Swan), de Darren Aronofsky

    “… A protagonista valida o conceito freudiano da projeção,
    inconscientemente atribuindo características negativas de sua própria personalidade
    a outros personagens, especialmente Lily e sua mãe, que acredito ser uma
    criação de sua mente.No dia de sua consagração, totalmente livre e
    confiante, “mata” sua projeção, simbolizada por Lily, e alcança a perfeição no
    palco ao transformar-se no “Cisne Negro”, recebendo empolgada ovação da plateia
    que grita seu nome. “Matando” sua projeção, “mata” a si mesma, encerrando a
    obra de forma genial. Em minha interpretação ela não morreu, mas sim aquela sua
    versão insegura de outrora, que vivia sob uma constante pressão da “mãe”. Seu
    colapso mental vai se intensificando com o tempo, os arranhões nas costas, cada
    vez maiores, terminando por “matar” sua sanidade,sacrificadaem
    prol de uma perfeição ilusória, em nome da arte…”

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    4 – Bravura Indômita (True Grit), de Ethan e Joel Coen

    “… A beleza da trama reside exatamente na progressiva
    transformação interna do pistoleiro, cada vez mais admirando a impetuosidade
    inconsequente daquela que aprende que deve proteger. Ele tentou afastá-la de
    todas as formas, mas acabou encontrando na bravura dela a sua última chance de
    redenção. Bridges trabalha esta dualidade com excelência, deixando transparecer
    sutilmente o carinho que passa a sentir por aquela que o desafiava. O conflito
    não consiste na caçada pelo assassino Tom Chaney (Josh Brolin), mas no
    desesperado desejo de Rooster em se mostrar vivo perante aquela que depositou
    confiança em sua competência. Ele sabe que está fora de forma, extremamente
    cansado e que provavelmente ninguém no futuro lembrará seu nome, mas mesmo
    assim encara o perigo de frente. A bravura do velho pistoleiro gravaria um
    legado eterno no caráter da jovem, que aprende que o sabor da vingança é
    amargo, uma cicatriz que se carrega pelo resto da vida…”

    filmes 11568 fotos KikoMascarenhas Afaltaquenosmoves 07 - TOP - 2011

    5 – A Falta Que Nos Move, de Christiane Jatahy

    “… A melhor forma de assistir essa desconhecida
    obra-prima é adentrar na casa junto com os atores, sem conhecer o truque, por
    essa razão evitarei comentar muito sobre o que ocorre. O mérito maior da equipe
    foi ter construído um produto que não perde valor enquanto mágica revelada,
    somente instiga ainda mais, levando-nos a procurar entender que aquele
    microcosmo reflete perfeitamente o macro. O choque de constatar que somos todos
    atores em tempo integral, seguindo mediante a aceitação de nossas fragilidades
    e frustrações, aprendendo a lidar com a inexorável aproximação do fim. Somos
    parte de uma experiência, independente que a façamos ser prazerosa ou plena em
    autocomiseração, escolhemos rotas conforme os limites da estrada nos são
    revelados…”

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    6 – Namorados Para Sempre (Blue Valentine), de Derek Cianfrance
    “… Prejudicado no Brasil por um título equivocado que vende a antítese do que o roteiro oferece, o filme provavelmente ganhará maior reconhecimento em longo prazo. Poucas vezes o cinema retratou com tanta honestidade, de forma brutalmente comovente, o triste momento em que os laços de carinho e respeito se desfazem em um relacionamento amoroso…”

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    7 – Margin Call – O Dia Antes do Fim (Margin Call), de J.C. Chandor

    “… Uma experiência claustrofóbica sustentada por um elenco
    afinado, um raro roteiro direcionado para o público adulto. Escolhendo focar no ser humano e nas emoções, ao invés de jogar
    luz nos aspectos burocráticos que conduziram ao colapso financeiro da trama, o
    roteiro consegue soar universal e atemporal…”

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    8 – Medianeras – Buenos Aires da Era do Amor Virtual (Medianeras), de Gustavo Taretto

    “… A importância de quebrar as barreiras que separam indivíduos em uma metrópole, obstáculos que conduzem o espectador a torcer para que os dois solitários se encontrem. A atuação do casal e a ousadia do diretor no terceiro ato fazem com que
    o filme seja um oásis perdido no meio de um deserto de marasmo no
    gênero…”

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    9 – A Árvore do Amor (Shan Zha Shu Zhi Lian) de Zhang Yimou

    “… É inegável se tratar de um filme previsível e manipulador, um clássico tearjerker que nos remete a “Love Story” e tantos outros similares.
    Mas é impossível evitar se apaixonar pela forma sensível como o relacionamento do casal é retratado, impossível não se encantar com o refinamento de Yimou…”

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    10 – Balada do Amor e do Ódio (Balada Triste de Trompeta), de Álex de la Iglesia

    “… O diretor do ótimo, ainda que pouco conhecido, “O Dia da Besta”, retorna com uma das pérolas visualmente mais interessantes do ano, uma mistura criativa de terror, drama, ação e comédia, com elementos de Kusturica, Guillermo del Toro e Tarantino…”

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    Octavio Caruso
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