TOP – As Melhores Comédias Dirigidas por Jerry Lewis

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Aos 90 anos, Jerry Lewis está retornando às telas com “Max Rose”, demonstrando mais uma vez seu brilhantismo como ator dramático, o que vai surpreender quem não conhece sua participação no excelente “O Rei da Comédia”, de Scorsese, em “Arizona Dream”, de Kusturica, ou na pérola esquecida feita pra televisão: “Luta Pela Vida”, de 1987. Sempre lembrado como ator, poucos valorizam seu trabalho como diretor.

A sua originalidade na construção do cenário inovador de “O Terror das Mulheres” já bastaria para reverenciarmos sua ousadia. Ele também criou um artifício que muitos operadores de câmera hoje em dia nem fazem ideia que foi ele o inventor. Até aquele momento, o diretor filmava as cenas e tinha que esperar vinte e quatro horas para poder visualizá-las. Lewis, procurando resolver esse problema, patenteou um sistema onde colocava uma câmera de vídeo ao lado da câmera de filmagem, os dois compartilhando a mesma imagem. Assim ele poderia voltar e ver sua cena sempre que quisesse, realizando
pequenos ou grandes ajustes. Esse protótipo hoje recebe o nome de “Assistente de Vídeo”, sendo presença obrigatória em todos os sets. Seu livro “The Total Film-Maker”, o material de suas aulas na faculdade de cinema, é simplesmente uma das melhores obras sobre todas as etapas do processo de filmagem.

Como grande admirador de seu trabalho, revi todos os filmes dirigidos por ele na tentativa de selecionar os cinco melhores. Não deu certo, tive que ignorar meu lado sistemático e aceitar seis títulos, seis obras-primas que justificam a inclusão de Lewis em qualquer lista de melhores cineastas da história do cinema. Um reconhecimento que ele merece receber em vida.

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1 – O Terror das Mulheres (The Ladies Man – 1961)

Adotando em parte o estilo cômico cartunesco de Frank Tashlin, um de seus mentores, Lewis força seus limites na função de diretor e explora ao máximo as possibilidades de situações em um único espaço. Com toques de fantasia surrealista, seu Herbert H. Heebert faz uso de todo o repertório cômico do ator. Seis anos depois, Tati realizaria “Playtime”, talvez o único artista cujo trabalho podemos tentar comparar, mas seu Hulot carece de simpatia, os seus esforços, por mais interessantes que sejam, soam forçados, em Lewis tudo é natural.

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2 – O Professor Aloprado (The Nutty Professor – 1963)

Na fábula cômica de Lewis, a figura esquisita de Kelp, uma óbvia caricatura, representa a forma distorcida como o personagem se enxerga no espelho, não há poção mágica, Buddy Love sempre existiu e, como a engraçada cena final salienta, com a bela Stella Stevens guardando um pouco da poção, não deve nunca ser obliterado, já que exerce função importante na personalidade do indivíduo. A autoconfiança precisa complementar a humildade, um elemento não vive bem sem o outro. Essa resolução emocionalmente madura é o que engrandece o filme, que poderia ser apenas uma farsa tola, uma das várias releituras de “O Médico e o Monstro” que a indústria já criou.

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3 – As Loucuras de Jerry Lewis (Cracking Up – 1983)

Com sérios problemas de saúde, vício em remédios para dores na coluna, e o fim do relacionamento de trinta e oito anos com a esposa, Lewis, que estava afastado do cinema e focado em seus Telethons, logo depois sofreria uma complicada operação cardíaca. Esse filme é claramente o trabalho de um homem livre, no sentido transcendental da expressão, alguém que renasce das cinzas criativamente com mais coragem do que exibia em sua juventude. Ele corre riscos, acerta e erra, mas o que impressiona na estrutura de esquetes é a aura de jovialidade, renovando o estoque de gags com a esperteza do que se fazia no período, mas com um pé no futuro. É perceptível um tom mais pessoal, sem concessões. Um tesouro que merece maior reconhecimento.

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4 – O Mensageiro Trapalhão (The Bellboy – 1960)

É sua primeira produção com total poder criativo, feita com baixíssimo orçamento, em que interpreta um mensageiro de hotel que não fala uma palavra durante toda a projeção. O seu trabalho nessa obra faz referência a astros do humor como Jacques Tati, Chaplin
e Stan Laurel, seu grande ídolo e amigo, sendo na realidade uma linda homenagem ao cinema do gênero. Nessa joia está contida o amálgama de tudo em que Lewis acreditava, com facetas de vários estilos de humor, o grotesco, físico, inteligente, cínico e o infantil, ingênuo e inocente.

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5 – O Otário (The Patsy – 1964)

Além de eternizar sequências hilárias como a do professor de piano, um dos momentos mais engraçados da história do gênero, ele foi responsável por mais uma inovação cenográfica, quando, ao final do filme, as câmeras se distanciam deixando exposto que o ambiente era um estúdio de gravação. Ele se mostra, não como o personagem, mas, sim, como o diretor Jerry Lewis, desconstruindo o sonho da maneira mais engraçada possível. Fellini fez parecido em “E La Nave Va”, quase vinte anos depois, e foi considerado original. Jerry já havia ousado muito antes.

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6 – O Mocinho Encrenqueiro (The Errand Boy – 1961)

O alvo de Jerry nesse filme são os bastidores da indústria de cinema, impagável o momento em que ele utiliza genialmente a pantomima para debochar da arrogância dos chefes de estúdio. O elegante jazz emoldurando uma ilusória reunião de negócios em que o patrão gargalha após despedir seus funcionários, como se Lewis evidenciasse que, por trás do véu de nobreza de astros e estrelas, a imagem vendida pelo setor de publicidade, o público ignora o cruel jogo de interesses que movimenta a roda da fortuna. A narração no início já ressalta a coragem do diretor: “Hollywood irá te levar a qualquer lugar que você desejar, menos atrás de sua própria fachada”.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

3 COMENTÁRIOS

  1. Perfeito, Octavio!! E muito legal saber dos recursos técnicos do "Assistente de Video" que ele patenteou. Aliás, queria muito ler esse livro dele "The Total Film-Maker". Ótima seleção, como sempre!

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