Cine Bueller – “Elvira, A Rainha das Trevas”

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    Elvira, A Rainha das Trevas (Elvira, Mistress of The Dark – 1988)

    Elvira (Cassandra Peterson) é a anfitriã de um programa de
    baixo orçamento sobre filmes de terror, mas tudo pode mudar quando ela herda da
    tia uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas
    1313 habitantes. Ela sonha em vender a casa e ir para Las Vegas, mas encontra
    dois sérios problemas: o primeiro são os adultos da cidade, que ficam
    espantados com o modo como ela se veste e se comporta. Liderados por Castidade
    (Edie McClurg), eles fazem forte oposição à presença de Elvira na localidade. O
    segundo problema é Vincent Talbot (W. Morgan Sheppard), um tio de Elvira que
    não herdou nada, mas deseja obter de qualquer maneira um “livro de receitas”
    que também foi herdado por ela, que dará a ele imensos poderes para fazer
    diversos tipos de bruxarias.

    A musa inesquecível de toda uma geração de adolescentes, o
    decote generoso que fazia a gente esquecer as preocupações com as provas, a “Sessão
    da Tarde” que era mais aguardada pelos rapazes, “Elvira” foi uma das opções
    mais exóticas que os programadores pensaram para o horário. Criada pela bela
    Cassandra Peterson na década de oitenta como anfitriã em exibições de filmes de
    terror na televisão, exatamente como o nosso Zé do Caixão fez no “Cine Trash”, a
    personagem ganhou vida própria e segue ainda hoje realizando shows, com a atriz
    participando de convenções de fãs e esbanjando simpatia. Como o nome da
    personagem pode insinuar, ela deve sua carreira ao conselho que recebeu de
    Elvis Presley, com quem teve um breve caso na década de setenta, sugerindo que
    a jovem dançarina largasse a rotina dos palcos de Las Vegas e tentasse ser
    respeitada como atriz em outra cidade. Cassandra viajou pra Europa, chegou a
    fazer uma ponta em “Roma”, de Fellini, mas foi com sua rainha das trevas que
    conquistou a atenção da imprensa.

    Em uma entrevista no Tonight Show, ela disse que gostaria de
    protagonizar um filme que fosse uma mistura de “Pink Flamingos” e “The Rocky
    Horror Picture Show”. A obra comandada por James Signorelli, reconhecido por seu trabalho no programa Saturday Night Live, com roteiro da
    própria atriz, pode até ser fiel ao tom do musical de Richard O’Brien, mas está
    longe de ser audacioso como o controverso projeto de John Waters, o que não é
    um demérito. A personalidade encantadora da protagonista, que transmite
    sensualidade e segurança, com a leveza de uma adolescente, compensa qualquer
    tropeço de ritmo. Uma pessoa capaz de soltar frases como: “Eu preciso tanto desse
    emprego quanto um leproso precisa de um espelho de três vias”, com o charme de
    quem está recitando Neruda. A subtrama da personagem Castidade, que conduz à
    cena em que o grupo conservador da cidade tenta queimar Elvira numa fogueira em
    praça pública, segue atual em um mundo cada vez mais obscurantista. É um filme delicioso que ganha pontos em revisão, perfeito para uma noite de Halloween.

    * O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora “Classicline”, com a opção da dublagem clássica dos estúdios Maga.

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    Octavio Caruso
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