Faces do Medo – Serial Killers

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    Confissões de Um Necrófilo (Deranged – 1974)

    Um homem que vive na parte rural de Wisconsin cuida de sua
    mãe que é muito dominadora e ensina que todas as mulheres são más. Depois que
    ela morre, ele sente muita a falta dela. A partir da morte dela, ele começa a
    fazer as coisas mais escabrosas que se pode imaginar. Estreitamente baseado na
    história verídica de Ed Gein.

    Ao contrário de “O Massacre da Serra Elétrica”, o irmão mais
    famoso lançado posteriormente no mesmo ano, “Deranged”, dirigido por Jeff
    Gillen e Alan Ormsby, opta por uma abordagem mais documental sobre Ed Gein, com
    as frequentes interrupções de um personagem repórter falando diretamente para o
    público, um recurso que prejudica a imersão e a construção do suspense, aquele
    clima de pesadelo que a obra de Tobe Hooper dominou com perfeição. Mas a
    atuação de Roberts Blossom, rica em maneirismos repetitivos perturbadores,
    compensa qualquer problema. Ele consegue transmitir um misto de insegurança
    quase infantilizada e doentia loucura. Os efeitos de Tom Savini, estreando no
    cinema, já demonstram a competência que o mundo iria aplaudir alguns anos mais
    tarde, com destaque para uma impressionante cena envolvendo uma colher e um
    cérebro exposto em um crânio aberto. Não creio que a indústria hoje tenha
    coragem de detalhar o macabro de forma tão direta, a utilização do humor em
    certos momentos deixa o que é bizarro ainda mais repulsivo. Você termina a
    sessão e sente vontade de tomar banho, o que é um tremendo mérito em uma obra
    do gênero.

    dvd henry - Faces do Medo - Serial Killers

    Henry – Retrato de Um Assassino (Henry: Portrait of a Serial Killer – 1986)

    Henry é um rapaz que vive com seu ex-colega de prisão e
    sofre de distúrbio que o leva a matar pessoas de formas bárbaras. Quando o
    colega e sua irmã, que também sofrem de perturbações psicológicas, descobrem
    seus feitos, são atraídos pela violência, mas ao mesmo tempo se tornam vítimas
    em potencial.

    Já citei o “Guia de Vídeo – Terror”, lançado pela Editora
    Escala no início dos anos noventa, escrito pelo Guilherme de Martino, em alguns
    textos sobre meus anos de garimpo adolescente nas locadoras de vídeo. “Henry”,
    dirigido por John McNaughton, era uma das pérolas indicadas pelo livro que eu
    não conseguia encontrar em lugar algum, para um apaixonado por terror aquele
    filme parecia ser praticamente o Necronomicon aberto, relia milhões de vezes o
    trecho sobre ele, eu cheguei a sonhar com sequências imaginárias, mas o VHS eu
    nunca vi, somente fui entrar em contato com o filme no início da era da
    internet. Alguns anos mais tarde li sobre a vida do verdadeiro Henry Lee Lucas,
    eu fiquei sem dormir, recomendo que assistam ao ótimo documentário que vem na
    caixa, não há horror na literatura e no cinema que supere a vida real. O
    roteiro não chega nem perto de retratar os aspectos mais grotescos de seus
    assassinatos, mas, ainda assim, perturba o espectador pela crueza com que
    aborda o cotidiano do protagonista, um relato realista quase documental,
    elemento realçado pela fotografia suja, com o orçamento irrisório ajudando a
    compor uma pegada snuff altamente coerente com o tema. Michael Rooker, vivendo
    Henry, está possuído pelo capiroto, os seus olhares arrepiam mais do que as
    cenas que mostram as consequências de seus atos. A ausência de qualquer
    personagem moralmente correto estabelece um tom depressivo raras vezes
    alcançado em produções do gênero. Lançado em um período onde a indústria
    norte-americana estava dominada pelos slashers, McNaughton insere um subtexto
    de crítica à violência como entretenimento.

    13523469 alleluia ou l histoire vraie des tueurs de la lune de miel - Faces do Medo - Serial Killers

    Lua de Mel de Assassinos (The Honeymoon Killers – 1969)

    Baseado na história verídica de Raymond Fernandez e Martha
    Beck, que se encontram por correspondência. Ray é invasor, selvagem e não
    confiável​​; Martha é enorme, compulsiva e necessitada. Juntos, começam a
    atrair mulheres para roubá-las e matá-las.

    O diretor/roteirista Leonard Kastle, que também era
    compositor de ópera, fez apenas um filme em sua carreira, substituindo
    Scorsese, com dinheiro de pinga e sérios problemas técnicos, mas esse único
    projeto foi muito elogiado por François Truffaut, que chegou a afirmar que era
    o seu filme norte-americano favorito, sem falar que serviu como óbvia
    inspiração tonal e temática nos trabalhos iniciais de John Waters e Brian De
    Palma, então eu creio que ele cumpriu com louvor sua missão na sétima arte. Sem
    se debruçar na violência gráfica, a câmera adota enquadramentos desconcertantes
    nas cenas de assassinato, o que não é visto se torna mais terrível na mente do
    público, o olhar da vítima que percebe que será atacada pode ser mais
    apavorante que a encenação do ataque, com o preto e branco reforçando a
    antinaturalidade na abordagem inteligentemente inconsequente.

    10 rillington place - Faces do Medo - Serial Killers

    O Estrangulador de Rillington Place (10 Rillington Place – 1971)

    Londres, 1949. John Christie é um despretensioso homem de
    meia idade que, juntamente com sua esposa Ethel, administra o prédio de
    apartamentos em 10 Rillington Place. Seu despretensioso comportamento oculta o
    fato de ser um serial killer. Usa da sua formação médica, para atrair mulheres
    inocentes para seu apartamento com o pretexto de curá-las de alguma doença,
    então estrangula suas vítimas antes de enterrá-las em seu quintal.

    Poucos filmes funcionam tão bem como crítica à pena de
    morte, o caso real foi o motivador da abolição ocorrida no Reino Unido em 1965.
    Dirigido por Richard Fleischer no início da década de setenta, construindo um
    suspense matador sem apelar para violência gráfica, protagonizado pelo sempre
    competente John Hurt e um impecável Richard Attenborough, transmitindo um senso
    de perigo apavorante em sua atuação contida, auxiliada pela utilização constante
    de claustrofóbicos ambientes fracamente iluminados. O fato do roteiro não se
    importar em examinar as motivações psicológicas do assassino potencializa a
    ameaça, somos colocados na mesma posição de ignorância das vítimas, diante da
    frieza banal de sua incompreensível maldade. O tom sóbrio dominante favorece a
    eventual exibição de violência, surpreendendo o espectador e provocando
    imediato desconforto. O foco está na forma como esse monstro consegue manipular
    todos ao seu redor para que não enxerguem o óbvio. Uma obra que merece maior
    reconhecimento.

    maniac 1980 07 g - Faces do Medo - Serial Killers

    O Maníaco (Maniac – 1980)

    Frank Zito é um desequilibrado mental que mata inúmeras
    garotas brutalmente e guarda seus escalpos para adornar os inúmeros manequins
    que lhe fazem companhia. Até o dia em que uma mulher tira uma fotografia sua no
    Central Park. Trata-se da fotógrafa Anna D’Antoni, por quem Zito acaba se
    apaixonando. Mas será que o relacionamento conseguirá vencer sua sede de
    sangue?

    Joe Spinell, o canastrão agiota dos dois primeiros filmes da
    franquia “Rocky”, roteirizou e protagonizou essa pérola do slasher embrionário,
    com um nível de violência acima do que seria normal no subgênero, lembrada mais
    pelo trabalho impecável de Tom Savini nos efeitos de maquiagem. O roteiro é
    simplório, a estética é amadora, a direção do fraco William Lustig é sem
    brilho, mas o grande mérito está no foco dado ao mundo interno de um psicopata, não há
    antagonista, não há pretensão alguma, apenas o interesse em entregar o maior
    número possível de sequências de assassinato, um terreno fértil para Savini
    esbanjar seu talento. A belíssima inglesa Caroline Munro, que havia sido uma
    Bondgirl em “007 – O Espião Que Me Amava”, três anos antes, entra na trama no
    segundo ato como interesse romântico do maníaco, o que não ajuda a tornar o
    todo mais verossímil.

    SERIAL KILLERS - Faces do Medo - Serial Killers

    * Os filmes estão sendo lançados em DVD com excelente material extra, pela distribuidora “Obras-Primas do Cinema”, no digistack “Serial Killers”.

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    Octavio Caruso
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