Nos Embalos do Rei do Rock – “Garotas, Garotas e Mais Garotas”

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    Links para os textos anteriores do especial:

    Entrevista exclusiva com Ginger Alden, a última namorada de
    Elvis / Introdução:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/10/nos-embalos-do-rei-do-rock-entrevista.html

    Ama-me Com Ternura:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/12/nos-embalos-do-rei-do-rock-ama-me-com.html

    A Mulher Que Eu Amo:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/01/nos-embalos-do-rei-do-rock-mulher-que.html

    O Prisioneiro do Rock:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/04/nos-embalos-do-rei-do-rock-o.html

    Balada Sangrenta:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/07/nos-embalos-do-rei-do-rock-balada.html

    Saudades de Um Pracinha:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/08/nos-embalos-do-rei-do-rock-saudades-de.html

    Estrela de Fogo:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2015/10/nos-embalos-do-rei-do-rock-estrela-de.html

    Coração Rebelde:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2016/01/nos-embalos-do-rei-do-rock-coracao.html

    Feitiço Havaiano:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2016/02/nos-embalos-do-rei-do-rock-feitico.html

    Em Cada Sonho Um Amor:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2016/05/nos-embalos-do-rei-do-rock-em-cada.html

    Talhado Para Campeão:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2016/07/nos-embalos-do-rei-do-rock-talhado-para.html

    Esse filme marca o início de um irregular período, de 1962 a 1967, em que Elvis precisou abaixar a cabeça para os argumentos de seu empresário, dedicando praticamente todo o seu tempo aos estúdios de gravação nada acolhedores de Hollywood, gravando faixas ruins para as trilhas dos filmes, uma realidade bastante diferente daquela que vivia em suas sessões musicais em Nashville.

    DI girls girls girls - Nos Embalos do Rei do Rock - "Garotas, Garotas e Mais Garotas"

    Garotas, Garotas e Mais Garotas (Girls! Girls! Girls! – 1962)

    Sonhando em ter seu próprio barco algum dia, o pescador Ross
    Carpenter (Elvis) trabalha também como cantor de um hotel para ganhar dinheiro.
    No palco ele atrai a atenção de todos e os olhares de mais de uma garota.
    Dividido entre a festiva atração principal da boate (Stella Stevens) e a
    charmosa garota da alta sociedade que posa de moça trabalhadora (Laurel
    Goodwin), Ross tem que decidir qual será aquela que vai fazer seu coração
    cantar.

    A intenção consciente do produtor Hal Wallis era retornar
    para a fórmula dos sucessos que o cantor teve na Paramount, algo que o título nada
    sutil já escancarava, então decidiu que a ambientação seria novamente o Havaí, a
    trama novamente seria criada por Allan Weiss, que havia garantido o sucesso de “Feitiço
    Havaiano”, trabalhando o roteiro com Edward Anhalt, responsável por “Os Deuses
    Vencidos” e pelo noir de Elia Kazan: “Pânico nas Ruas”, e que depois faria os
    prestigiados “Becket, o Favorito do Rei” e “Mais Forte Que a Vingança”. A
    direção ficou a cargo do veterano Norman Taurog, com quem Elvis havia selado boa
    amizade em dois trabalhos anteriores (“Saudades de Um Pracinha” e “Feitiço
    Havaiano”), um profissional capaz de equilibrar o divertimento popular com o
    necessário refinamento técnico dos grandes musicais. E, vendo por esse lado, o
    resultado é muito satisfatório, ainda que represente uma zona de conforto para
    a ambição artística do protagonista. Poucos mencionam, mas “Garotas, Garotas e
    Mais Garotas” foi indicado para o Globo de Ouro, como “Melhor Filme – Musical”,
    competindo com “A Mais Querida do Mundo”, “Em Busca de Um Sonho”, “O Mundo
    Maravilhoso dos Irmãos Grimm” e o vencedor: “Vendedor de Ilusões”, que, vale
    salientar, envelheceu muito mal, enquanto a diversão despretensiosa comandada
    por Taurog segue encantando fãs e espectadores casuais.

    O carisma do músico, ainda motivado, continuava imbatível.
    Na sequência do bar, quando ele canta “Return to Sender”, composta por Winfield
    Scott e Otis Blackwell, a melhor música do filme, a presença no set do amigo
    cantor Jackie Wilson, conhecido à época como o “Elvis Negro”, que o rapaz
    admirava, injetou ânimo extra à performance, com a câmera captando Elvis no
    palco imitando a dança do colega e, com frequência, buscando sorridente a
    reação entusiasmada de Jackie na plateia. Quando Wilson teve um derrame em
    1975, no auge da carreira, Elvis, até o fim da vida, anonimamente cobriu todas
    as despesas médicas e garantiu o melhor tratamento possível. A bela Stella
    Stevens, que no ano seguinte roubaria o coração do personagem de Jerry Lewis em
    “O Professor Aloprado”, faz o par romântico, mas a relação dos dois nas
    filmagens não foi muito amistosa, com a atriz desfilando arrogância com toda a
    equipe logo nos primeiros dias, o que fez com que seu papel fosse
    consideravelmente diminuído. Mais sorte teve a doce Laurel Goodwin em seu
    primeiro papel no cinema, já que conquistou a amizade de Elvis e, anos depois,
    fez parte do episódio piloto de “Jornada nas Estrelas”. Em uma entrevista
    posterior ao falecimento do cantor, a atriz relembrou os primeiros dias no set:
    “Elvis foi extremamente gentil. Não tivemos um romance, ele era mais como um
    irmão zeloso. Ele chegou a me defender de um ex-namorado agressivo nos
    bastidores. Aprendi com ele a não levar muito a sério o conceito da fama. Ele
    não agia como a grande estrela do filme, ele era informal e, por algumas vezes,
    ele chamou a responsabilidade para si nos problemas, ao invés de deixar a culpa
    cair nos ombros de algum técnico da equipe”.

    O repertório musical, com exceção da já citada “Return to
    Sender”, variava do medíocre ao suportável. A faixa-título é uma tremenda
    bobagem, das piores compostas por Leiber/Stoller, salva apenas pelo excelente
    solo de sax do mestre Boots Randolph. “I Don’t Wanna be Tied”, “We’re Coming in
    Loaded” e a balada “Because of Love” são interessantes e inofensivas, mas
    atrocidades como “Song of the Shrimp” (canção do camarão), “Thanks to the
    Rolling Sea”, “We’ll be Together”, “Earth Boy”, “A Boy Like
    Me, a Girl Like You” e o tango “The Walls Have Ears” funcionam apenas como simpático
    acompanhamento para as suas respectivas cenas, o tipo de material que o cantor
    jamais cogitaria gravar em estúdio para seus discos. A demanda de canções que
    inicialmente era razoável, progressivamente foi se tornando absurda. O cantor
    já não podia se dar ao luxo de selecionar algumas das muitas composições que
    eram produzidas e pensadas para uma única cena no roteiro, decidindo no ensaio
    com a banda qual seria a melhor, o pouco tempo entre um projeto e outro, além
    da compreensível crescente falta de criatividade da equipe responsável, obrigavam
    que o artista aceitasse defender as fitas demo que chegavam, sempre com muita
    dignidade e profissionalismo, eventualmente tirando leite de pedra.

    Pela primeira vez o elenco não tinha qualquer nome mais experiente, estratégia que era usada como forma de atrair todo tipo de público, inclusive aqueles que desprezavam a música de Elvis. As suas produções agora seriam direcionadas prioritariamente para os fãs, com eventuais veteranos respeitados buscando a parceria objetivando o lucro certo nas bilheterias. Com os pés fincados na onda do Twist, “Garotas, Garotas e Mais Garotas” é divertimento garantido.

    A Seguir: “Loiras, Morenas e Ruivas” (It Happened At The World’s Fair)

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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