Rebobinando o VHS – “Inocência Ultrajada” (1974)

    1

    Link para os textos anteriores do especial que resgata a nostalgia dos tempos do VHS:
    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/rebobinando-o-vhs.html

    Essa pérola produzida para a televisão norte-americana
    sequer foi lançada em VHS oficialmente por aqui, apenas em fitas piratas, sem
    legendas. Ela chegou a ser exibida com cortes nas madrugadas televisivas
    brasileiras, mas não me recordo de ter visto alguma exibição. O meu primeiro
    contato com a obra foi através da novelização literária, encontrada em um de
    meus garimpos nos sebos, com o título original: “Nascida Inocente”, escrita por
    Berhardt J. Hurwood, baseada no roteiro de Gerald Di Pego.

    born innocent 86l28569x41729 - Rebobinando o VHS - "Inocência Ultrajada" (1974)

    Inocência Ultrajada (Born Innocent – 1974)

    Feito na esteira do sucesso mundial de “O Exorcista”, um veículo
    ousado para a pequena Linda Blair firmar seu nome na indústria, “Inocência
    Ultrajada” aborda um tema espinhoso, os abusos sofridos pela garota em um
    reformatório. Ela tinha apenas quatorze anos quando filmou a sequência forte de
    estupro no banheiro, algo que jamais seria cogitado nos dias de hoje. Sem
    nudez, todo o sofrimento transmitido em seu rosto, uma declaração de coragem
    rara, especialmente quando a postura mais confortável seria ela abraçar a fama
    e optar por papéis bonitinhos em filmes inofensivos. Em “A Garota Viciada”, no
    ano seguinte, ela interpretou uma menina viciada em álcool. É uma pena pensar
    que a sua carreira foi destruída no final da década de setenta, ao aparecer nas
    manchetes em um escândalo com drogas. Ela, que tinha talento para ser uma das
    maiores atrizes de sua época, foi esquecida por Hollywood e se manteve
    trabalhando em projetos fracos, sem relevância.

    Analise a cena do primeiro banho de sua personagem, logo
    após a chegada na instituição, o choro convulsivo, a angústia contida que
    explode ao encarar a frieza do local. Christine (Blair) é fruto da parentalidade
    irresponsável, os pais, vividos por Kim Hunter e Richard Jaeckel, alternam a
    agressão física com a pressão psicológica, vivem brigando na frente dela, um
    cenário caótico que a impele a fugir. A crítica é direcionada ao sistema que,
    em teoria, serve para ressocializar os jovens, mas, na prática, apenas termina
    de destruir o indivíduo. Ela chegou inocente, compreensivelmente perturbada,
    com o olhar de criança, um detalhe que a atriz evidencia brilhantemente na sua
    gradual transformação, porém, sob o manto das figuras de autoridade no local,
    ela foi seviciada de todas as formas. O único elemento humano que a mantém sã é
    o irmão mais velho, vivido por Mitch Vogel. Quando ele a atrai na intenção de
    facilitar a aproximação do policial que vai conduzir a jovem de volta para o
    reformatório, as correntes emocionais se rompem, a sociedade consegue
    finalmente criar um monstro irrecuperável.

    O filme conquistou a maior audiência televisiva no ano. E,
    como pude constatar na revisão, ele se mantém eficiente, com uma linda trilha
    sonora composta por Fred Karlin, injustamente pouco lembrado, responsável por
    uma das melhores baladas cantadas por Karen Carpenter: “For All We Know”,
    escrita para o filme “As Mil Faces do Amor”, de 1970.

    RECOMENDAMOS


    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

    1 COMENTÁRIO

    1. Oi Profissional O. C.:

      Legal o blog!
      O encontrei pelo clássico em questão abordado…
      Um dos meus favoritos/até me arrepio ao escrever.
      Sei que foi bem divulgado e quando foi lançado _ teve uma baita polêmica (depois deletaram a cena forte por ter influenciado um crime parecido dias depois numa cidade americana).
      Lembro que passava nos anos 80 & 90 na TV; gravei na primeira vez em março de 1990 – pena só ter ido até a metade. Inclusive me identificava com a protagonista, pois passava problemas parecidos: bullying, vontade de sumir: época péssima mesmo. Morava no RJ.
      Depois gravei na íntegra em 1996 (morava no RS e tinha a vida bem melhor). Só não entendo o porque do baita corte no final. Alias há partes que me dão medo.
      Costumo ver num site de vídeos até dublado em espanhol.
      Na época o que era abordado era tabu. Nos EEUU o que há de crimes assim. Só que leis funcionam. Melhor nem comentar sobre aqui. Cada vez pior.
      E perdão o texto longo. Bom dividir opiniões.

      Valeu,
      Rodrigo O Rosa

      http://manhaart.blogspot.com.br

      * Na cena da rodoviária onde o fútil irmão se encontra com ela e aparece um policial (alias atuar sem mostrar o rosto causa até curiosidade) fica meio 'duvidoso'_tipo SE ELE DENUNCIOU PARA A LEVAR DE VOLTA OU ALGUÉM DA FAMILIA SOUBE DA FUGA DELA E ACABOU DELATANDO. E muitos gostariam de saber o nome de quem atuou até eu: a cara metade da MOCO (dizer se chamar CRASH no filme), uma alta mulata se chamar Jack: a cuidadora Beth, e uma senhora chamada Helaine que trabalhava lá. Mostrava entender o problema da C. Parker.

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here