“Superman e os Homens-Toupeira”, de Lee Sholem

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    Superman e os Homens-Toupeira (Superman and The Mole Men – 1951)

    Há uma cena no “Superman 2”, de Richard Lester, que resume o
    significado do personagem enquanto símbolo. Lex Luthor, traído pelo General
    Zod, fica aliviado ao ver o herói vivo do lado de fora da janela do Planeta
    Diário. Ele sabe que não pode contar com a palavra de um homem sem escrúpulos.
    E, por mais que ele odeie Superman com todas as forças, sabe que está lidando
    com alguém íntegro, que será justo. Quando vejo os filmes recentes dirigidos
    por Zack Snyder, não consigo enxergar esses valores, os roteiros falham no
    básico, não compreendem o personagem.

    A criação de Jerry Siegel e Joe Shuster representa a
    esperança, os quadrinhos originais da década de trinta buscavam resgatar o
    ânimo de um país que lutava para se restabelecer da recessão econômica, o povo
    desempregado juntava moedas para adquirir naquelas páginas a coragem de seguir
    em frente. A ação e os superpoderes fazem parte das histórias, mas são as
    atitudes sensatas que forjaram o herói, a capacidade de agir corretamente nas
    situações mais complicadas, sem nunca desrespeitar seus princípios. Christopher
    Reeve alcançou essa intenção nobre no clássico da década de setenta, mas creio
    que nenhuma versão live action foi mais competente nesse sentido que a
    protagonizada por George Reeves. O projeto, em preto e branco, foi o primeiro
    produzido com o personagem para o cinema, após os dois seriados protagonizados
    por Kirk Alyn. Reeves, que havia voltado da guerra, encontrava papeis apenas em
    títulos de baixo orçamento, aquela parecia ser uma boa chance de conquistar
    público. Superman acabaria se tornando o papel de sua vida. O roteiro tratava o
    elemento alienígena com reverência similar à de “O Dia em Que a Terra Parou”,
    lançado no mesmo ano, uma postura radicalmente diferente dos sci-fi da época,
    que sempre traziam o diferente como algo a ser temido, uma metáfora para o
    temor comunista.

    Os repórteres Clark Kent (Reeves) e Lois Lane (Phyllis
    Coates) decidem investigar as estranhas aparições que passam a ocorrer em uma
    cidade após o trabalho de uma mineradora. Vale destacar a postura de Reeves em
    seu disfarce, mais sério e nada desajeitado, uma presença digna e que impõe
    respeito, longe da caricatura cômica que seria trabalhada décadas depois no
    filme de Richard Donner. Como os efeitos especiais não permitiam uma utilização
    excessiva do herói uniformizado, Kent protagonizaria na maior parte do tempo,
    uma entrega mais crível facilitava a identificação com o público. Em “Superman
    e os Homens-Toupeira”, os vilões são os humanos movidos pelo ódio, aqueles que
    julgam sem conhecer os fatos. Os seres do título, moradores do subterrâneo que,
    pela cobiça do homem, são forçados a conhecer a superfície, e, eventualmente,
    perseguidos por serem diferentes.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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