Sobre a preguiça intelectual do público na apreciação cultural

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Você já deve ter lido várias vezes que “se o Bonequinho está dormindo, pode ir, que o filme é bom”. O comentário é maldoso, tolo, além de revelar mais sobre aquele que o defende, o típico indivíduo que se orgulha em dizer que despreza críticos de cinema porque “tem opinião própria”. No português claro, um bronco. Há uma questão fundamental, a incompreensão da função da crítica por grande parte do público. O usual é encontrar comentários bastante agressivos direcionados aos profissionais da área. Um absurdo, tremenda falta de respeito, especialmente quando partem de colegas. O problema não é a avaliação do crítico, que fala diretamente aos critérios que ele utiliza. O que vale ser discutido é o jornal utilizar apenas uma avaliação para cada obra.

O público que já não valoriza leitura no dia a dia, pouca atenção dedica ao texto crítico, vê o “Bonequinho” e decide em poucos segundos se vai comprar o ingresso. O problema realmente grave é a tremenda falta de interesse do brasileiro, hoje em dia o indivíduo tem
acesso pleno à informação. Se ele se baseia apenas em uma fonte, triste constatação. Como sempre afirmo, o mais correto é ler variados textos críticos, especialmente os discordantes, agregando aquelas análises à reflexão que a pessoa vai fazer após a sessão. Jogar pedra no crítico é estupidez, atestado de ignorância. Se o jornal não abre espaço maior para a crítica cinematográfica, uma pena, reflete apenas o pensamento comodista e preguiçoso de grande parte dos seus leitores. Futebol recebe páginas e mais páginas de análises, cinema recebe nota de rodapé, esta é a cara do Brasil.

Buscar informação é elemento essencial, o Globo e seus “Bonequinhos” são apenas uma fonte de informação. E, acima de tudo, são profissionais que merecem respeito. Se os responsáveis não consideram financeiramente viável abrir mais espaço em suas páginas para o cinema, você pode encontrar dezenas de textos críticos na internet sobre uma mesma obra. Encare com mais atenção seu próprio reflexo no espelho e se pergunte com sinceridade: Eu realmente demonstro interesse no tema?

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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