TOP – 25 Melhores Filmes Brasileiros de Todos os Tempos

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O cinema brasileiro é rico em temas, o problema é que muitos
diretores não conseguem fazer seu trabalho ser comercialmente disponível, poucos
conseguem atravessar o funil e ir além dos festivais de cinema. Há uma massa de
intelectuais brasileiros que desprezam o cinema de gênero, professores de faculdades
de cinema estimulam em seus alunos esta atitude errada. Uma nova geração de
críticos, da qual faço parte, está lutando diariamente para mudar esta triste
realidade em longo prazo.

Alguns destes filmes que eu selecionei nem sequer são
lembrados por estes profissionais veteranos, mas demonstram a versatilidade,
coragem e bom humor destes artistas que geralmente trabalham com orçamento
muito baixo. Da era silenciosa aos tempos modernos, todos os gêneros, drama,
romance, suspense, comédia, horror, documentário, filmes infantis e intensos
filmes de ação. Aqui estão os 25 melhores filmes brasileiros:

25 – Os Saltimbancos Trapalhões (1981)

“Os Trapalhões” eram um grande sucesso no Brasil,
um grupo de comédia amado por crianças e adultos, mas nunca fizeram algo tão
ousado quanto este filme. Adotando a estrutura de um musical infantil (músicas
escritas por Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, adaptado ao português por
Chico Buarque), vale a pena enfatizar o roteiro ousado, a bela mensagem dos
pobres artistas de circo unidos como uma oposição corajosa aos atos ultrajantes
de um ditador, um elemento que engrandece o resultado com um excitante
simbolismo.

24 – Noite Vazia (1964)

Walter Hugo Khouri, inspirado por Antonioni e os jovens
cineastas franceses da Nouvelle Vague, lida com a angústia de quem, em teoria,
não teria motivos para sofrer, os problemas existenciais da burguesia. Os
personagens são hipócritas incapazes de exercer o esforço necessário para
escaparem da inércia, o confinamento no apartamento simboliza o medo de
enfrentar o mundo.

23 – Assalto ao Trem Pagador (1962)

Com base em um caso real que aconteceu no Rio de Janeiro,
quando uma gangue atacou o trem pagador da Central do Brasil, Roberto Farias
consegue criar um ótimo filme de assalto com muito pouco orçamento,
pressionando o dedo sobre a ferida da sociedade preconceituosa e racista da
época. O elenco brilhante, com destaque para Eliezer Gomes, Grande Otelo e
Reginaldo Faria, ajuda a elevar ainda mais a qualidade do filme.

22 – O Caso dos Irmãos Naves (1967)

O filme de Luís Sérgio Person, corajosamente nos anos da ditadura
militar, conta a verdadeira história de prisão, tortura e morte de Joaquim e
Sebastião Naves, injustamente acusados ​​de um crime. Presos e torturados, os
irmãos são obrigados a confessar um crime que não cometeram. Um dos casos mais
emblemáticos de erro judicial no Brasil.

21 – O Bandido da Luz Vermelha (1968)

Rogério Sganzerla, com muito pouco orçamento, experimentou
(e subverteu loucamente) com as convenções do thriller de Hollywood. Fugindo da
lógica populista dominante no Cinema Novo, não há heroísmo na pobreza, não há
esperança, apenas a devastação direcionada a tudo e a todos.

 

20 – O Gato de Madame (1957)

Amácio Mazzaropi foi um dos maiores nomes do cinema
brasileiro, profundamente amado pelas pessoas, apesar de ser humilhado na vida
por críticos profissionais que desprezaram seu trabalho. Ele lutou para
estabelecer uma indústria cinematográfica autossustentável no país. Neste
projeto, dirigido por Agostinho Martins Pereira, ele foi favorecido por um
roteiro corajoso que extraiu o humor ácido das críticas sociais, zombando de
praticamente todos os conceitos estabelecidos, principalmente sobre políticos e
a utopia socialista, com citações como: “Democracia é como uma melancia,
verde de esperança por fora, mas vermelha por dentro, queimando com o desejo de
mandar em tudo.”

19 – Abril Despedaçado (2001)

Walter Salles tornou-se conhecido no mercado exterior com
“Central do Brasil”, mas foi com o projeto seguinte que conseguiu o
equilíbrio sensorial perfeito. Inspirado pelo livro do albanês Ismail Kadaré,
adaptado ao cenário do nordeste brasileiro, o roteiro é um conto de vingança
entre duas famílias, mas não se concentra na violência, o interesse é no
desenvolvimento de personagens expostos aos níveis mais profundos da miséria
humana.

18 – Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010)

O primeiro filme explodia na cara do espectador como uma
espingarda, o segundo é como um tiro de bala dumdum, penetra no corpo e causa
maiores danos internos. A reflexão crítica que o roteiro de José Padilha propõe
é o elemento que o torna um produto superior no gênero ação, o inimigo não é
apenas o criminoso violento nas ruas, mas também o sistema político podre que
governa a sociedade em que a violência está inserida.

 

17 – Lavoura Arcaica (2001)

A fidelidade ideológica de Luiz Fernando de Carvalho às
páginas do livro de Raduan Nassar pode ser percebida inicialmente na
preocupação do diretor por uma construção detalhada, desde o uso do texto
original, através das ideias inteligentes no figurino de Beth Filipecki, até a
elegância funcional do Gordon Willis brasileiro: Walter Carvalho.

16 – Pixote – A Lei do Mais Fraco (1981)

A realidade cruel das ruas é evidenciada pelo diretor Hector
Babenco, em seu melhor trabalho, abordando a perda de inocência em crianças
expostas a um mundo de crime e prostituição. O pequeno Pixote é enviado a um
reformatório, mas descobre que o sistema está corrompido, e que talvez ele
estivesse mais seguro longe das garras da lei.

15 – Ganga Bruta (1933)

Iniciado em 1931, este filme mudo dirigido por Humberto
Mauro sofreu consideráveis ​​atrasos. O produtor Adhemar Gonzaga sonhou em
filmar o projeto na Amazônia, que acabou por não acontecer, com problemas de
dinheiro. Ainda assim, a produção simbolizava uma maturidade profissional do
cinema brasileiro, com cenas internas capturadas por quatro câmeras, algo usual
em Hollywood na época, mas novidade para a indústria cinematográfica
brasileira.

14 – Viagem ao Fim do Mundo (1968)

Com forte inspiração nas obras da filósofa francesa Simone
Weil, simbolizada no monólogo existencialista de uma freira sobre a hipocrisia
da religião, especialmente como uma ferramenta política, um ponto extremamente
atual em uma sociedade em que um candidato que se declara ateu não vence a
eleição, o filme do diretor Fernando Coni Campos, embora seja parte do
movimento Cinema Novo, pode ser visto como uma antítese da celebração da
rebelião sofisticada nas obras de Glauber Rocha, já que seu experimentalismo
visual não parece buscar inspiração na melancolia poética do neorrealismo
italiano.

13 – O Lobo Atrás da Porta (2013)

O roteiro do diretor Fernando Coimbra, que estreia de forma
promissora com a coragem de um veterano como Michael Haneke, se atreve a seguir
o caminho do gênero de suspense com personalidade, ajudado pelas ótimas atuações
de Leandra Leal e Milhem Cortaz.

12 – Terra em Transe (1967)

Glauber Rocha disse que estava tentando fazer algo que
fundisse o cinema intelectual que foi feito na Europa (o surgimento da Nouvelle
Vague), com Hollywood. Misturando John Ford e Eisenstein. Em “Terra em
Transe”, ele conseguiu criar sua obra-prima, aproximando-se mais
eficientemente de seus desejos artísticos.

11 – Casa de Areia (2005)

A riqueza do roteiro complementada por uma entrega magistral
das atrizes, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, mãe e filha na vida real,
cria poesia orgânica, que convida o público a pensar e se emocionar neste
inesquecível conto de solidão dirigido por Andrucha Waddington.

10 – A Hora da Estrela (1986)

Não é difícil concluir que esta bela adaptação de Suzane
Amaral para o livro de Clarice Lispector, fiel à essência e eficiente na sua
execução, é o melhor filme brasileiro da década de oitenta, verdadeira flor no
asfalto. A sensibilidade do roteiro, que funciona com uma simplicidade incomum
no período, uma época em que todos os cineastas brasileiros pareciam tentar
imitar a cacofonia visual de Glauber Rocha, que, por sua vez, emulava
experimentos franceses, cativa o espectador já nas primeiras cenas, quando
conhecemos a protagonista: Macabéa, vivida por Marcélia Cartaxo.

9 – Cabra Marcado Para Morrer (1984)

Eduardo Coutinho fazia uma espécie de cinema intensamente
emocional, original, corajoso, que forjava uma audiência consciente e crítica,
um elemento essencial, principalmente por causa da maneira como sua lente aborda
um tema que, em outras mãos, poderia se tornar algo panfletário, manipulador,
reduzindo tudo a uma visão simplista.

8 – Filme Demência (1986)

Produzido pela Embrafilme, um roteiro escrito por Carlos
Reichenbach e Inácio Araújo, esta pérola ainda é raramente comentada por
cinéfilos brasileiros, o trabalho mais pessoal do diretor. Idealizado em tempos
de crise nacional, a ideia original teve que ser abortada após cortes no
orçamento e acabou por ser transformada em uma versão para “Fausto”
de Goethe.

 

7 – De Vento em Popa (1957)

O movimento Cinema Novo dos anos 70 capitalizou com a
pobreza, mas a crítica política e social desses filmes empalidece em comparação
com a imagem de Oscarito mantendo seu disfarce como cientista aristocrático, um
conceito cômico que atinge o alvo com mais pungência do que todos os chamados
“revolucionários” cineastas brasileiros fariam nos anos seguintes.

6 – Navalha na Carne (1969)

O diretor Braz Chediak conseguiu estabelecer uma atmosfera
opressiva praticamente insuportável, dominada por planos fechados e longas
tomadas, com um uso sábio do silêncio, que vai além dos primeiros trinta
minutos com apenas sons diegeticos. O texto corrosivo de Plínio Marcos,
defendido de forma naturalista pelos atores consome o ambiente claustrofóbico,
a sala fétida e desorganizada que serve como microcosmo de uma sociedade
hipócrita.

5 – Vidas Secas (1963)

A inteligência do diretor de fotografia Luiz Carlos Barreto,
com lente nua, sem filtros, deixando a luz explodir, esmagando os personagens
no terreno escaldante. O chiado das rodas do carro de boi é a trilha sonora
ensurdecedora, colocando o espectador em um estado alterado e desconfortável,
imediatamente imerso na realidade desesperada da família sertaneja.

4 – O Despertar da Besta (1970)

O filme já começa ao som de “Ave Maria”, que é
implacavelmente interrompida pelo som de um grito de horror. Somente esse
elemento seria um argumento suficiente para a estúpida ditadura militar agir
como censura. Eles não apenas impediram que o filme fosse exibido nos cinemas,
queimaram as cópias. Recuperado nos anos oitenta, continua sem lançamento
comercial. Com um roteiro refinado de Rubens F. Lucchetti, baseado em um
argumento de José Mojica Marins cheio de metalinguagem, que, no contexto da
época, ousou falar sobre o comportamento humano de uma forma que ainda hoje é
corajosa.

3 – Limite (1931)

Este belo filme mudo foi amado por David Bowie e selecionado
para restauração por Martin Scorsese. Desconhecido pelo público brasileiro,
reconhecido no exterior como obra-prima, o filme de Mário Peixoto usa a sobreposição
poética de imagens desarticuladas e muito simbolismo, abordando o infortúnio da
humanidade diante da limitação universal.

2 – O Pagador de Promessas (1962)

Em 1962, um jovem chamado Anselmo Duarte, ator em filmes
como “Sinhá-Moça” e “Aviso aos Navegantes”, decidiu dirigir
uma história à frente de seu tempo. Ele trouxe a Palma de Ouro, do Festival de
Cannes, despertando a inveja de seus colegas.

1 – Cidade de Deus (2002)

Fernando Meirelles conseguiu capturar a revolta brasileira
com as taxas crescentes de violência urbana e o sentimento absurdo de
impotência diante de um sistema que parece proteger os criminosos, a impunidade
em todos os níveis, canalizando essa raiva coletiva para a estética de seu
filme. É rápido, é brutal, é real.

* Lista preparada para o site norte-americano “Taste of Cinema”. Link para a postagem original, com os textos em inglês e sem cortes:http://www.tasteofcinema.com/2017/the-25-best-brazilian-movies-of-all-time/

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