10 Curtas e Médias Importantes na História do Cinema

Mest Kinematograficheskogo Operatora (1912)

Uma comédia sobre ciúme, vingança e infidelidade entre
insetos, metáfora espirituosa para a hipocrisia da sociedade dirigida por Wladyslaw
Starewicz, um dos mais criativos mestres pioneiros do stop-motion, quase sempre
esquecido, que faz uso generoso de metalinguagem em uma abordagem adulta dos
temas. 



Entr’Acte (1924)

Antes de Germaine Durlac abraçar o surrealismo no cinema em “The
Seashell and the Clergyman”, René Clair revolucionou a utilização do tema e
ousou na montagem provocadora anti-militarista neste clássico dadaísta. O filme
nasceu a partir do convite do pintor Francis Picabia e do músico Erik Satie,
que queriam um entreato cinematográfico para o balé Relâche. A cada interlúdio
da apresentação, o curta era projetado.



Ménilmontant (1926)

Como um romance de Émile Zola, o média-metragem retrata a
vida urbana parisiense do começo do século XX. Duas irmãs abandonam a vida no
campo e partem para a cidade grande após testemunharem o assassinato dos pais. O
diretor Dimitri Kirsanoff consegue realizar uma perfeita fusão entre o impressionismo
francês, o surrealismo de vanguarda, a montagem soviética e o melodrama de
Hollywood, sem a utilização de intertítulos, opção audaciosa. 



La Coquille et le Clergyman (1928)

A diretora Germaine Dulac esforçou-se para procurar na ação
do roteiro de Antonin Artaud os pontos harmônicos, ligando-os entre si por
ritmos estudados e compostos. A temática do desejo sexual reprimido em um padre
foi bastante corajosa para a época. Vale ressaltar que a obra foi lançada anos
antes daquele que viria a ser reconhecido como o grande marco surrealista, “Um Cão Andaluz”, de Buñuel. 



The Life and Death of 9413: a Hollywood Extra (1928)

Este curta dirigido por Robert Florey e Slavko Vorkapich,
que bebe generosamente na fonte do expressionismo alemão, conta a história de
um homem que vai para Hollywood para se tornar uma estrela, apenas para falhar
e ser desumanizado no processo. É impressionante como o conceito e a execução
envelheceram bem, não parece um trabalho produzido na década de 20. 



De Naede Faergen (1948)

Um casal tem menos de 45 minutos para atravessar de motocicleta mais de 70
quilômetros. Não sabem que a própria morte fará o mesmo trajeto. Propaganda
sobre os perigos da alta velocidade no trânsito dirigida pelo mestre Carl Theodor
Dreyer, uma aula de edição que ainda hoje provoca tensão no espectador. O
cinema de ação bebeu muito desta fonte. 



Le Sang des Bêtes (1949)

* Aviso: Cenas muito fortes de violência animal *
Um dos primeiros exemplos de ultra-realismo, dirigido por Georges Franju, que faria anos depois a obra-prima do terror psicológico: “Os Olhos Sem Rosto”. Este filme
contrasta a tranquila e bucólica vida na periferia de Paris do pós-guerra com a
dura e ensanguentada condição de dentro dos matadouros. É perturbador como
poucos, especialmente quando analisado no contexto da época, uma crítica ao
silêncio do povo alemão durante o extermínio em massa dos judeus. 



Spiste Horisonter (1950)

Quatro minutos intensos de experimentalismo surrealista,
resultado da união criativa entre o diretor Jorgen Roos e o pintor Wilhelm
Freddie. Um pesadelo inesquecível e impossível de ser sintetizado, que certamente
foi referência para os trabalhos iniciais de David Lynch e David Cronenberg.



A Movie (1958)

Colcha de retalhos experimental em que o diretor Bruce
Conner reuniu fragmentos de cenas tiradas de filmes B, arquivos de cinejornais,
pornografia leve, entre outras fontes, emoldurados musicalmente por “Pines of
Rome”, de Respighi. Crítica irônica à capacidade de o cinema construir mentiras
e simplificar tragédias, espetacularizando qualquer tema com objetivos
financeiros. 



21-87 (1964)

Trabalho do diretor Arthur Lipsett que inspirou, entre
outros, George Lucas, um comentário ácido e pessimista sobre uma sociedade de
máquinas, a alienação do homem moderno enfatizada na colagem de cenas que
exploram o vazio cultural e o caos do cotidiano. 

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