Chumbo Quente – “Homens Indomáveis”, de Allan Dwan

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Homens Indomáveis (Silver Lode – 1954)

Vivemos hoje tempos sombrios no Brasil, então creio que a melhor forma de não repetir erros históricos é aprendendo com o passado, estudando com afinco, sem revisionismos oportunistas e ideologicamente frágeis. O cinema e a literatura podem ajudar muito neste objetivo.

Allan Dwan foi resgatado na cultura popular por Martin Scorsese em “Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano”, em que celebrava a coragem do diretor no filme “Homens Indomáveis”, lançado no olho do furacão liderado pelo senador Joseph McCarthy, uma comissão formada no congresso para caçar supostos simpatizantes do comunismo na indústria. Dois anos antes e no mesmo gênero, “Matar ou Morrer”, roteirizado por Carl Foreman, estabelecia alegoria forte, porém, pouco direta sobre esta caçada artística e, mais que isto, a omissão covarde de muitos que possibilitava o absurdo cometido pelos radicais de extrema direita. Já o roteiro de Karen DeWolf, vítima da censura, optando
por uma vertente mais desafiadora, ousava criticar abertamente a intolerância que promovia a caça às bruxas de Hollywood, nomeando o vilão de forma que diretamente apontava o dedo para o senador, o cruel Fred McCarthy, vivido por Dan Duryea, que interrompe uma festa de casamento com um mandado de prisão contra o noivo, Dan Ballard, vivido por John Payne, cidadão respeitado na cidade.

É óbvio desde o princípio que a acusação de assassinato é falsa, o que não impede que a população se volte rapidamente contra o rapaz, aquela terrível propensão ao apedrejamento que parece ser parte intrínseca da natureza humana. As únicas pessoas que se mantém ao lado dele, a noiva (Lizabeth Scott) e uma prostituta (Dolores Moran) que sempre foi apaixonada por ele. A histeria coletiva dos manipulados soa mais alto que as vozes das duas mulheres, detalhe que o texto realça ao mostrar como a lei pode ser facilmente burlada por interesses mesquinhos, mas a força de caráter da vítima lentamente mudará o jogo.

Pequena obra-prima de baixíssimo orçamento com fotografia do pouco lembrado mestre John Alton e que não pode ser esquecida.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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