Rebobinando o VHS – “Sem Aviso”

Jack Palance e Martin Landau, dois dos mais respeitados atores de sua geração, inseridos em um projeto que aborda a invasão de um alienígena que parece um Boneco de Olinda. A missão: caçar humanos como em um esporte. Se há algum mérito nisto, vale lembrar que a essência da trama seria trabalhada sete anos depois em “O Predador”, protagonizado pelo filósofo Arnold Schwarzenegger. Plágio? Coincidência? Veja e tire suas próprias conclusões. 


Sem Aviso (Without Warning – 1980)
O tom é muito similar ao de “Sexta-Feira 13”, lançado no mesmo ano, com aquele grupo de adolescentes tontos vividos por trintões que agem mentalmente como se ainda frequentassem a escola primária. Aliás, vale ressaltar que os personagens adultos também exibem desenvoltura intelectual de bebês famintos, como na cena em que o líder dos escoteiros se distrai tentando acender seu cigarro com o atrito de pedras. Até o momento em que o alienígena perde a timidez e aparece na tela, faltando uns seis minutos para o final, somos brindados com várias sequências pretensamente apavorantes com generosa utilização de caramelo derretido e tapiocas voadoras dentadas.

O diretor Greydon Clark começou a carreira comandando dois dos mais fracos filmes blaxploitation: “Black Shampoo” e “The Bad Bunch”, currículo complicadíssimo, mas que explica muitas das escolhas tomadas na obra. Ele até consegue estabelecer alguma aura de mistério no primeiro ato, auxiliado pela fotografia do competente Dean Cundey, que trabalharia depois em pérolas como “De Volta Para o Futuro”, “O Enigma de Outro Mundo” e “Jurassic Park”. Mas a iluminação eficiente não salva textos ruins e ideias estúpidas, logo, a experiência de ver “Sem Aviso” rapidamente se transforma em algo insuportavelmente entediante. Existem defensores ferrenhos deste sci-fi B nos Estados Unidos, assim como existem muitos pacientes esbravejando que são ventiladores de teto nos hospitais psiquiátricos, certas coisas são impossíveis de entender plenamente.

Nada é mais constrangedor que ver um artista do calibre de Palance, correndo ensandecido na direção do monstro mais inexpressivo da história do gênero, gritando: “Alien! Alien!”. A assinatura deste contrato só pode ter sido dívida de jogo. 

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