“15h17 – Trem Para Paris”, de Clint Eastwood

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    15h17 -Trem Para Paris (The 15:17 to Paris – 2018)

    No início da noite de 21 de agosto de 2015, o mundo assistiu
    atônito às notícias de um ataque terrorista frustrado no trem n° 9364 da Thalys
    a caminho de Paris, uma tentativa impedida por corajosos jovens americanos que
    viajavam pela Europa. O filme acompanha a vida dos três amigos, das
    dificuldades da infância, passando pela descoberta de seu propósito na vida,
    até a série de eventos improváveis que culminaram com o ataque.

    Os soldados Anthony Sadler, Alex Skarlatos e o piloto da
    Força Aérea Spencer Stone, personagens principais da trama, interpretam a si
    mesmo no filme. É fácil condenar o óbvio desequilíbrio nas atuações, mas a
    escolha do diretor foi consciente, transformando o roteiro fraco da pouco
    experiente Dorothy Blyskal, adaptado do livro escrito pelo trio, em uma
    simpática, ainda que problemática, celebração do espírito humano.

    Se os diálogos truncados prejudicam cenas como a do
    confrontamento em flashback das mães dos rapazes com a figura de autoridade da
    escola, a real camaradagem entre os protagonistas garante uma química genuína
    na tela nos vários momentos descontraídos.

    O terceiro ato entrega o ponto alto do projeto, a sequência
    de ação no trem sintetiza a estética documental imediatista da montagem,
    conseguindo captar com eficiência a tensão e o instinto de heroísmo que é
    despertado em situações extremas. Algo que, vale salientar, só funciona porque
    o público é levado a investir emocionalmente no drama pessoal de cada jovem.

    Aos oitenta e sete anos, Eastwood prova que ainda consegue
    injetar coração e sinceridade em uma trama fiel à sua ideologia nacionalista,
    sem se curvar aos modismos atuais na indústria. Você pode não concordar com sua
    abordagem, mas é impossível deixar de respeitar seu comprometimento.

    * Crítica escrita para o Caderno B do “Jornal do Brasil” (08/03/2018).

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