O constrangedor “Covil de Ladrões”, de Christian Gudegast

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Covil de Ladrões (Den of Thieves – 2018)

Christian Gudegast estreia na direção, trabalhando com charme, porém, sem muita criatividade, o subgênero dos filmes de assaltos a banco. Na trama, um ladrão planeja o crime perfeito enquanto tenta ocultar um tenebroso segredo: ele pertence a duas facções rivais e sua sobrevivência depende que essa informação nunca chegue aos líderes destes movimentos.

O roteiro, escrito por Gudegast e Paul Scheuring, criador da série “Prison Break”, acerta ao incitar forte crítica aos excessos cometidos pelas figuras de autoridade policiais, liderados pelo personagem vivido por Gerard Butler, existencialmente perdido após ser afastado de suas filhas em um dolorido processo de separação conjugal, ressaltando a linha tênue que os separa daqueles que oficialmente são tidos como ameaças para a sociedade.

O problema é que a ausência de camadas de interpretação deixa um rastro de furos, algo que pode não incomodar os fãs inveterados de um estilo de ação mais despretensioso, mas, considerando a desnecessária longa duração, será altamente frustrante para o público em geral. Há interesse em apresentar os conflitos internos, emocionais, mas as caricaturas são pintadas em tintas fortes, especialmente o ladrão vivido por Pablo Schreiber,
prejudicando a imersão e, por conseguinte, a compreensão de suas motivações e do
desenrolar dos planos.

Outro ponto fraco é a maneira retrógrada e preguiçosa que a história trabalha as mulheres, parece que entramos numa máquina do tempo e saímos no auge de Charles Bronson e seus projetos do início da década de oitenta, cheio de strippers, damas em perigo e donas de casa unidimensionais. Pensada dentro do contexto atual, a obra já nasceu com o prazo de validade vencido.

Se comparado a “Fogo contra fogo”, de Michael Mann, fonte óbvia de inspiração em diversas cenas, “Covil de ladrões” chega a ser constrangedor em sua incoerência narrativa, diversão rasa para pouco mais de um par de horas, caso você não tenha nada melhor para fazer no dia.

* Crítica publicada no Caderno B do “Jornal do Brasil” (05/04/18).

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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