Crítica (SEM SPOILERS) de “Han Solo – Uma História Star Wars”

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Han Solo – Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Movie – 2018)

Até mesmo o filme mais fraco de Star Wars possui momentos que emocionam e promovem um reencontro do espectador com sua criança interna. “Han Solo” infelizmente é apático. As tentativas de encantar o fã se resumem à citações soltas, referências, ou absurdas forçadas de barra. É como o caso dos dados dourados de aposta do protagonista, adereço inútil no cenário da Millenium Falcon original, que ganhou magicamente relevância na nova trilogia e, obviamente, não desperta o interesse dos mais jovens, nem é beneficiado pelo investimento emocional dos fãs antigos. Algumas opções são bizarras, provável reflexo das modificações necessárias após a demissão dos diretores Chris Miller e Phil Lord, por exemplo, a função da personagem vivida pela Thandie Newton, incrivelmente desperdiçada na trama oficial. Ron Howard, o diretor que foi convocado para tentar arrumar a bagunça, não é reconhecido por ser um autor com traço forte, logo, até mesmo as sequências de ação falham em empolgar no nível que se espera da franquia. A insegurança é latente.

Donald Glover é o ponto alto, a sua versão jovem de Lando Calrissian consegue gerar empatia desde o primeiro minuto em cena. Alden Ehrenheich não é um grande ator, Harrison Ford também não era em 1977, mas o segundo tinha ironia no olhar, um carisma transbordante, enquanto o primeiro poderia desaparecer no palco contracenando com uma ervilha. O rapaz é extremamente limitado e foi jogado numa tarefa difícil, combinação que nunca dá certo. Se o roteiro fosse genial, ele ainda seria lembrado como o elo fraco na corrente. Com um roteiro ruim, pobre coitado. Emilia Clarke (Qi’ra), por outro lado, defende uma personagem com potencial, várias camadas que poderiam ser trabalhadas, mas simplesmente não tem capacidade de agregar expressões no rosto além das duas que exibe o filme inteiro. O casting poderia ser considerado um fracasso, caso não houvesse a presença sempre competente de Woody Harrelson (Beckett). Sem revelar pontos importantes da trama, posso afirmar que Chewbacca (Joonas Suotamo) não vai desapontar os fãs, ele é o coração pulsante que compensa as bobagens conceituais da nova androide L3-37 (Phoebe Waller-Bridge), irritantemente roubando as cenas, “batendo o ponto” na obrigatoriedade de se ter em cada filme um robô espirituoso.

A produção conturbada resultou em uma experiência frustrante, com roteiro problemático e um protagonista inexpressivo. Uma história que não justifica sua existência de forma orgânica. Talvez adaptar a franquia de George Lucas para a fórmula serializada que a Disney adota com os filmes da Marvel não tenha sido uma boa ideia em longo prazo. O lucro é certo nas bilheterias até ocorrer o inexorável desgaste, mas as obras dificilmente sobreviverão ao teste do tempo. O prazo de validade de “Han Solo”, por exemplo, acaba minutos depois da sessão. O triste é que fica óbvio o plano inicial de estabelecer terreno para novas aventuras da versão jovem do personagem, muitas dúvidas dos fãs foram preservadas neste intuito, até algumas diretamente relacionadas à elementos narrativos da trilogia clássica. E, vale ressaltar, algumas explicações tolas, desnecessárias, acabam prestando um desserviço quando analisadas no contexto da franquia. Teria sido muito mais inteligente elaborar uma trama fechada e robusta, entregando tudo com sangue nos olhos. Da forma que está, dificilmente haverá sinal verde para as continuações, então muitas questões continuarão envoltas em mistério.

Ao final, temos uma peça irrelevante na engrenagem, medianamente divertida, que deixa evidente em algumas opções (como o breve retorno de um personagem das prequels que é incompreensível para quem não acompanha a animação televisiva) o desespero dos realizadores que, com certeza, reconheceram que o material nas mãos não era bom, então sacaram todas as cartas das mangas, até aquelas que não faziam sentido. O pessoal do marketing da Disney terá trabalho dobrado para comprar os veículos e os elogios, mas, como fã, espero que aprendam com os erros. “Rogue One” foi uma grata surpresa, apontou um futuro criativamente glorioso para estas aventuras spin-off. “Han Solo”, por sua vez, emite um sinal de alerta.

Cotação: download - Crítica (SEM SPOILERS) de "Han Solo - Uma História Star Wars"

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

1 COMENTÁRIO

  1. “A produção conturbada resultou em uma experiência frustrante, com roteiro problemático e um protagonista inexpressivo. Uma história que não justifica sua existência de forma orgânica”.

    OK,pessoal. Não há nada pra ver aqui. Evacuar área.rs
    Outch ( dá-lhe chicotada)!😲
    Olha, depois dessa, nem eu, que sou cabeça dura, me atrevo a ver e gastar meu rico dinheirinho.
    Fiquei com dó do Ron Ron, pobrezinho.rs
    Foi tipo: Ok, K.I.R.I.D.O, deu. Deu por hoje.😂

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