2 ótimos dramas de Michael Curtiz envolvendo o mundo da música

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Com Lágrimas na Voz (The Helen Morgan Story – 1957)

Helen Morgan (Ann Blyth) começa sua carreira como dançarina de boate em Chicago. Ela se envolve com o astuto Larry Maddux (Paul Newman), cuja promoção a catapulta para a fama como artista da Broadway em Show Boat e atração principal em sua própria boate. Morgan se angustia por seu relacionamento romântico com Maddux e com Russell Wade (Richard Carlson), um advogado rico e casado. E quando ela percebe que Maddux a está usando para manter o estilo de vida sofisticado que ele passou a curtir, ela se volta à bebida. Quando ocorre a quebra da Bolsa de valores em 1929 e a Lei Seca entra em vigor, ela perde a maior parte de seu dinheiro, e arruinada, se interna para reabilitação. Ao observar o sofrimento de sua amada, Maddux resolve transformar sua vida para trazer a estrela novamente de volta aos palcos.

O diretor Michael Curtiz, sempre lembrado por “Casablanca”, foi um dos mais versáteis e competentes na indústria. Além dos dois filmes da postagem, ele ainda comandaria no ano seguinte outra produção relacionada ao mundo da música, “Balada Sangrenta”, o melhor filme protagonizado por Elvis Presley. A Warner já tinha comprado os direitos para a cinebiografia de Helen Morgan em 1942, no ano seguinte de seu falecimento, mas problemas com o roteiro e a escalação do elenco postergaram a produção. Curtiz havia dirigido Ann Blyth no noir “Alma em Suplício”, papel que rendeu à atriz uma indicação ao Oscar de coadjuvante, mas é em “Com Lágrimas na Voz” que ela, incrivelmente subestimada e pouco lembrada nos dias de hoje, entregou seu melhor trabalho. Apesar de cantar muito bem, os produtores decidiram convocar Gogi Grant para dublar suas cenas musicais. A escolha, que ia contra a vontade de Ann, talvez tenha contribuído para sua despedida das telas após este projeto, ela ficou muito desapontada, já que lutou muito pelo papel. Gogi, por outro lado, sequer se preocupou em aproximar sua voz do estilo da homenageada, aliás, ela foi aconselhada a cantar da sua maneira, opção questionável.

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  • O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora “Classicline”. A bela arte de capa é produzida por Rafaella Arrais Nunes.

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Êxito Fugaz (Young Man With a Horn – 1950)

Rick Martin (Kirk Douglas) era um jovem sem rumo na vida que, ao descobrir seu talento para a música, é apoiado pelo ícone Art Hazzard (Juano Hernandez), um velho mestre do trompete que decide ser seu mentor. Rick se mostra um excelente trompetista, mas logo fica entediado por trabalhar sempre em orquestras onde não pode mostrar seu grande talento. Ajudado por amigos e pela bela cantora Jo Jordan (Doris Day), Rick logo consegue vencer no mundo da música e se torna uma verdadeira estrela. No entanto, a relação com sua perturbada esposa Amy (Lauren Bacall) se deteriora, e ele logo descobrirá que na vida nem tudo se resume ao sucesso.

Curiosidade: O roteiro de Carl Foreman e Edmund H. North, baseado livremente na vida do músico Bix Beiderbecke, autodidata que encantava o público com um estilo único, aborda corajosamente para a época a bissexualidade, na figura de Amy, vivida por Lauren Bacall.

“Música para mim não é um negócio.” (Rick Martin, vivido por Kirk Douglas, após pedir demissão de seu trabalho na boate, celebrando seu amor pela arte)

O primeiro ato é fascinante, mostrando a admiração do menino pobre e órfão pelo grupo de Jazz liderado por Art Hazzard, personagem fictício vivido por Juano Hernández. Quando Kirk Douglas entra em cena com seu trompete, somos presenteados com cenas intensas focadas no companheirismo musical durante as apresentações. Não há muita química entre ele e as duas mulheres de sua vida, interpretadas por Doris Day e Lauren Bacall, o que prejudica um pouco o ritmo do segundo ato. O roteiro se debruça em muitos dos clichês padronizados da Hollywood da época, mas trata estes clichês com elegância e respeito, dando aos momentos mais intimistas uma força emocional considerável. Como diretor, Curtiz capta com perfeição a textura da solidão que move a trama principal. O maior mérito da obra é conseguir retratar fielmente o cenário do Jazz em seu auge.

  • O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora “Classicline”. A bela arte de capa é produzida por Rafaella Arrais Nunes.

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Octavio Caruso
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