Crítica de “O Orgulho”, de Yvan Attal

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O Orgulho (Le brio – 2017)

Neila Salah (Camélia Jordana) é uma jovem que cresceu em Creteil e sonha em ser advogada. Desde o primeiro dia de aula na renomada Faculdade de Direito de Paris, ela se depara com Pierre Mazard (Daniel Auteuil), um professor conhecido pela sua má conduta que, para se redimir, aceita ser seu mentor em um concurso. Porém, ambos precisam enfrentar seus preconceitos.

A estudante, descendente de argelinos, chega atrasada na aula e é recebida com extrema grosseria por seu professor, o típico canalha inseguro e, por conseguinte, tremendamente arrogante, que humilha a estranha sem sequer dar tempo para que ela se explique. A intolerância frente à diversidade cultural parece ser o leitmotiv a princípio, mas o roteiro, escrito por Noé Debré, Victor Saint Macary, Yaël Langmann e pelo diretor, rema contra a corrente temática do cinema francês, marcada pela crítica ao autoritarismo nas escolas em clássicos como “Zero de Conduta” e “Os Incompreendidos”, evoluindo para um conto inspirador de redenção do mestre, tonalmente similar ao celebrado “Sociedade dos Poetas Mortos”.

A opção do prólogo exibindo trechos de depoimentos assegura a pegada didática que prejudica bastante a fluência emocional da história, que prega um discurso conciliador, revestido por um conformismo nada corajoso. Em sua essência, pratica um tremendo desserviço, já que a protagonista, ao passo em que enfrenta com argumentos o preconceito, vai deixando pra trás o estilo de vida que carrega de suas origens, lentamente se moldando à figura ideologicamente asquerosa da figura de autoridade que a oprimia. São deslizes imperdoáveis, facilmente perceptíveis em revisão, que denotam a pura desonestidade intelectual da obra.

Não há nada de edificante em sua mensagem, “O Orgulho” é correto tecnicamente, mas profundamente equivocado em todos os outros sentidos.

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Octavio Caruso
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