Crítica de “A Outra Mulher”, de Daniel Auteuil

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A Outra Mulher (Amoureux de ma femme – 2018)

Daniel (Daniel Auteuil) é um homem de imaginação fértil que, ao conhecer a nova namorada de Patrick (Gérard Depardieu), seu melhor amigo, ele se pega fantasiando. Ele é casado e se sente apaixonado pela esposa, mas, não conseguindo escapar de sua imaginação, deixa a cautela de lado, determinado a realizar seus mais loucos sonhos.

As inserções das sequências oníricas juvenis de Daniel com sua musa são executadas sem qualquer ousadia, recurso que cansa ainda no primeiro ato e que acaba se tornando algo puramente bobo. Se retirarmos da equação o carisma e a química de Daniel Auteuil e Gérard Depardieu, extremamente confortáveis em cena, o senso de diversão é eliminado.

As personagens femininas são patéticas caricaturas, a esposa (Sandrine Kiberlain) é irritante, histérica e insegura, enquanto que a jovem (Adriana Ugarte) é sedutora, extrovertida e sexualizada. O problema não é a fetichização da mulher, mas a forma apática como este elemento é trabalhado. A abordagem parece saída diretamente da década de sessenta, algumas gags, como a musa que se despe na imaginação do protagonista, ou o clássico ato desajeitado de constrangimento por ficar babando diante dela, parecem debochar da inteligência do público, difícil defender em pleno 2018 uma fórmula tão desgastada no gênero. As situações se repetem bastante, até que se tornam facilmente previsíveis no terceiro ato.

É inegável que o filme satisfaz comicamente, o roteiro de Florian Zeller é simples, leve e agradável, mas falha em causar uma impressão minimamente duradoura, típico entretenimento adorável para uma tarde chuvosa, que você esquece minutos após a sessão.

Cotação: 3 stars - Crítica de "A Outra Mulher", de Daniel Auteuil

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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