Crítica de “Te Peguei!”, de Jeff Tomsic

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Te Peguei! (Tag – 2018)

Desde a primeira série na escola, um grupo de cinco amigos têm um hábito curioso que realizam pelo menos uma vez ao ano: brincar enlouquecidamente de pique-pega, correndo em uma competição alucinante para ser o último homem de pé ao final da brincadeira, arriscando seus empregos e relacionamentos. Neste ano, que coincide com o casamento do jogador invicto da trupe, eles tentam de tudo para derrubá-lo neste momento de vulnerabilidade.

O conceito altamente inusitado à primeira vista parece bobo e, de fato, realmente é tremendamente bobo, mas funciona que é uma beleza. O letreiro inicial informando que a obra é inspirada em uma história real, um artigo escrito para o Wall Street Journal, elemento que retorna de forma encantadora antes dos créditos finais, deixa tudo ainda mais saboroso. O mérito não é tanto da direção do estreante Jeff Tomsic, com experiência em séries televisivas, ou do roteiro de Rob McKittrick e Mark Steilen, que não surpreende em momento algum, apostando em uma estrutura narrativa comum, mas, sim, da química irreverente do elenco, formado por Ed Helms, Jon Hamm, Hannibal Buress, Isla Fisher, Rashida Jones e Jeremy Renner, vivendo o mestre na irrelevante arte do pique-pega.

Ao acertar o tom absurdo logo no início, facilita para o espectador relaxar já nos primeiros minutos e embarcar na sequência de tolices envolvendo as estratégias mirabolantes dos amigos, potencializadas por gags que utilizam generosamente o recurso da câmera lenta. O ritmo fica um pouco problemático no segundo ato, algumas barrigas e repetições desnecessárias, mas não prejudica a experiência, exatamente porque há uma preocupação clara em estimular o investimento emocional do público. O foco está no desenvolvimento da trama, mais do que em piadas pontuais, algo que pode frustrar quem espera mil gargalhadas por minuto. A proposta é antiquada, no bom sentido, resgatando o estilo dos bons filmes de Steve Martin na década de oitenta, até mesmo no sentimentalismo meio desajeitado em momentos específicos. Se você é saudosista, como eu, não vai se sentir incomodado.

“Te Peguei!”, apesar de imperfeito, é um filme gostoso de ver. E, analisando a ideia por trás das brincadeiras, ele também carrega uma mensagem muito bonita sobre a importância de se manter na vida adulta um resquício da pureza descompromissada da infância. Você ri das situações ridículas, mas, internamente, o coração encontra identificação sincera. No âmago de nossas atitudes responsáveis de adultos, entre as várias decisões difíceis que tomamos no cotidiano, há uma criança insegura aguardando a hora do recreio no ritual, por muitas vezes, cruel, da sobrevivência.

Cotação: reviewstars 4 - Crítica de "Te Peguei!", de Jeff Tomsic

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Octavio Caruso
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