Crítica de “Virgens Acorrentadas”, de Paulo Biscaia Filho

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Virgens Acorrentadas (2017)

Uma equipe de gravação inexperiente vai para um orfanato abandonado para filmar um filme de terror de baixo orçamento. Lá eles descobrem que uma família de cruéis assassinos reescreveram seu roteiro, agora eles tem que tentar sobreviver.

O subgênero slasher, primo pobre do giallo italiano, começa a aparecer em “Blood and Lace” (1971), seguido por “Black Christmas” (1974), “The Town That Dreaded Sundown” (1976) e “Halloween” (1978), até dominar a indústria hollywoodiana no início da década de oitenta, tendo como maior símbolo o assassino da máscara de hóquei, Jason Voorhees, da franquia “Sexta-Feira 13”. O diretor brasileiro Paulo Biscaia Filho, do injustamente pouco conhecido “Nervo Craniano Zero” (2012), entrega nesta produção norte-americana roteirizada por Gary McClain Gannaway uma homenagem esperta, muito competente, que serve também como celebração apaixonada do cinema de guerrilha.

Na trama, Shane (Ezekiel Z. Swinford), roteirista frustrado que trabalha como atendente em um drive-thru para sobreviver, acredita ter escrito um roteiro promissor. A namorada Chloe (Kelsey Pribilski), que sempre o apoiou, trabalha numa bomboniere de cinema. Cansados das muitas portas fechadas para seus projetos, mesmo sem recursos, os dois, recrutando vários amigos, decidem corajosamente produzir o filme dos sonhos. Abusando da metalinguagem, o roteiro brinca com bloqueios criativos, subverte as estruturas narrativas (elemento que será melhor entendido por aqueles com experiência em escrever roteiros), provocando reviravoltas realmente surpreendentes. O tom é cômico, os dizeres no cartaz não mentem, “Não é o tipo de filme que você está pensando”, a proposta é exatamente desconstruir as expectativas do espectador, sendo coerente ao leitmotiv da frustração que os personagens sentem na luta árdua para fazer cinema independente e de baixo orçamento. Nos créditos finais, uma bonita reverência ao lendário diretor Herschell Gordon Lewis, padrinho do horror gore.

Neste ano em que as produções brasileiras de terror se levam a sério demais e pecam pela dose exagerada de pretensão, como “As Boas Maneiras”, “O Animal Cordial” e “O Nó do Diabo”, Biscaia Filho e seu “Virgens Acorrentadas” rema deliciosamente contra a corrente, entregando muito mais do que o trailer insinua, uma pérola que não merece passar despercebida nas poucas salas de cinema em que será exibida. É o tipo de filme que é facilmente desprezado pela parcela arrogante de colegas críticos e que, principalmente, depende do boca-a-boca do público.

Cotação: 3 5 stars - Crítica de "Virgens Acorrentadas", de Paulo Biscaia Filho

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