Crítica de “Alfa”, de Albert Hughes

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Alfa (Alpha – 2018)

Após cair de um penhasco e se perder do seu grupo, o jovem (Kodi Smit-McPhee ) de uma tribo precisa sobreviver em meio a paisagens selvagens e encontrar o caminho de casa. Atacado por uma matilha, ele consegue ferir um dos lobos, mas decide não matar o animal. O jovem cuida dele e os dois começam uma relação de amizade.

Se analisarmos a obra no contexto criativo de seu roteirista/diretor, fica latente a coerência na preferência pela estilização contemplativa, ao invés da substância. Do policial “Ambição em Alta Voltagem”, de 1995, até o pós-apocalíptico “O Livro de Eli”, quando ainda assinava ao lado do irmão Allen, o elemento que verdadeiramente atraía a atenção era puramente visual, as tramas eram rasas e cheias de furos. Nem “Do Inferno”, adaptação dos quadrinhos de Alan Moore, fugiu desta linha, algo que reduziu o escopo do material original, para a justa revolta dos fãs.

Em “Alfa”, esta abordagem encontra seu momento mais sincero, direto, o filme não tenta ser mais do que é, não tenta soar mais profundo que seu tema, trata-se apenas de mais uma versão para o clássico conto de maturidade que remete à Edgar Rice Burroughs, Jack London e vários similares produzidos pela Disney, como “Os Lobos Nunca Choram”. O espírito é o mesmo, um bonito sermão moralista sobre preservação familiar, através da amizade que nasce entre duas espécies que, à época, lutavam constantemente pela sobrevivência. E a maneira que ele encontra de atingir o objetivo é medianamente competente, satisfaz emocionalmente, com o auxílio da fotografia deslumbrante de Martin Gschlacht.

A computação gráfica sem polimento (o baixo orçamento entra em conflito constante com a proporção épica do projeto) e, levando em consideração que os personagens estão ambientados há 20 mil anos, a maquiagem exageradamente “limpa” típica das pavorosas novelas bíblicas da Rede Record, são equívocos que podem prejudicar a imersão em algumas sequências, mas a mensagem bonita fala mais forte ao coração.

“Alfa” é uma ótima opção para se levar os filhos à sala escura, alternativa simpática para a enxurrada de produções com adultos fantasiados.

Cotação: 3 stars - Crítica de "Alfa", de Albert Hughes

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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