Crítica de “O Banquete”, de Daniela Thomas

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O Banquete (2017)

No fim da década de 1980, apesar de ter retornado à democracia, o Brasil ainda vive uma época de extrema instabilidade política e incerteza geral. Em meio a este clima de desconfiança, uma jornalista descobre segredos podres sobre o presidente do país, que ameaçarão ainda mais o frágil equilíbrio da nação.

O teatro filmado de Daniela Thomas exala pretensiosismo e claramente se enxerga mais importante do que sua execução leva a crer que realmente seja, em suma, a mensagem é rasa e a experiência falha em satisfazer o racional e o emocional. Analisando a obra dentro do contexto de sua filmografia, parece ser consequência natural da frieza que dominou seus mais recentes trabalhos, como “Vazante” e “Insolação”, muito distantes da poesia calorosa de “Linha de Passe”, “O Primeiro Dia” e “Terra Estrangeira”. O elenco é muito competente, com destaque para Drica Moraes e Caco Ciocler, os diálogos são ferinos na medida certa, algo que agrega pontos no resultado final.

O roteiro aponta para um momento específico da política brasileira através do personagem Mauro, vivido por Rodrigo Bolzan, editor de uma importante revista que corre risco de ser preso pela publicação de uma carta aberta destinada ao presidente Collor. O banquete, em teoria, foi pensado para celebrar os dez anos de casamento do editor com Bia, vivida por Mariana Lima. A tensão é gradativamente elevada, à medida em que os convidados vão chegando e a quantidade de álcool nos organismos aumenta, mas a falta de calor humano no desenvolvimento das caricaturas em movimento prejudica a necessária imersão do espectador. São arquétipos de profissionais da alta sociedade, advogados, artistas, colunistas sociais, com a figura do garçom servindo como óbvia testemunha crítica de toda hipocrisia burguesa que explode nos conflitos à mesa.

A visão do filme é altamente comodista, defendendo um discurso comum contra regimes opressores, sem interesse em explorar o cerne da questão: o que origina este perturbador zeitgeist. Tudo envernizado para impressionar os intelectuais de butique, sem coração, sem alma.

Cotação: 2 stars - Crítica de "O Banquete", de Daniela Thomas

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