Crítica de “Um Pequeno Favor”, de Paul Feig

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Um Pequeno Favor (A Simple Favor – 2018)

Stephanie (Anna Kendrick) é uma jovem mãe que divide o tempo entre a criação do filho e a dedicação ao vlog de culinária. Ela é uma pessoa solitária, que se torna fascinada pela mãe de um colega de escola de seu filho. Esta mulher, Emily (Blake Lively) é poderosa, destemida, e leva uma vida de luxo ao lado do marido. Um dia, Emily desaparece. A polícia tem dificuldades para lidar com o caso, mas Stephanie parte em busca de respostas por conta própria. No caminho, descobre que a nova amiga não era nada do que ela pensava.

O figurino já estabelece claramente no início o contraste entre Stephanie, extremamente comportada, e Emily, exalando sexualidade. A primeira é infantilizada e busca a aceitação de outrem, a segunda é controladora e independente. Tudo é conscientemente muito artificial, kitsch, a trilha sonora evidencia isto logo no início com a utilização de “Ça c’est arrangé”, clássico sessentista de qualidade duvidosa cantado por Jean Paul Keller, opção estética que reforça a crítica à futilidade na trama, e, em maior escala, aos rótulos caricaturais que a sociedade machista impõe às mulheres.

O diretor Paul Feig, da péssima refilmagem de “Os Caça-Fantasmas” e das superestimadas “Missão Madrinha de Casamento” e “A Espiã Que Sabia de Menos”, consegue pela primeira vez entregar um produto genuinamente inovador, baseado no livro homônimo de Darcey Bell e com roteiro de Jessica Sharzer, subvertendo espertamente as expectativas do thriller psicológico folhetinesco marcante na Hollywood das décadas de quarenta e cinquenta, inserindo humor e malícia, com várias reviravoltas embasbacantes. Sem revelar muito, para não estragar a experiência, afirmo que o maior interesse da obra é confundir o público, atitude coerente ao leitmotiv do prazer que o cinéfilo sente em ser manipulado pelo roteiro.

As informações vão se acumulando, a investigação se torna cada vez mais complexa e, como o filme não se leva a sério, o fato de pouca coisa fazer sentido é parte da brincadeira. O problema é que no segundo ato o filme se perde no exagero destas desconstruções, a desnecessária longa duração reforça este equívoco, deixando vários furos, prejudicando a construção narrativa dos personagens, enfraquecendo o desfecho e reduzindo o valor da obra em revisão.

Cotação: 3 stars - Crítica de "Um Pequeno Favor", de Paul Feig

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Octavio Caruso
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