Crítica de “Bohemian Rhapsody”, de Bryan Singer

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Bohemian Rhapsody (2018)

Uma celebração exuberante do Queen, sua música e seu extraordinário cantor principal Freddie Mercury, que desafiou estereótipos e quebrou convenções para se tornar um dos artistas mais amados do planeta.

Nenhuma cinebiografia pretende ser uma reconstrução totalmente fiel da vida do homenageado, tarefa que cabe a documentários, a narrativa é sempre romanceada para se tornar mais eficiente sintetizada em um par de horas, qualquer profissional da crítica que utilize isto como argumento para desmerecer a obra está apenas dando atestado público de estupidez.

O que realmente importa neste caso é analisar se o roteiro de Anthony McCarten capta a essência do artista, satisfazendo todo tipo de público, o fã inveterado, o casual e até mesmo aqueles que não valorizam o trabalho dele. Não é fácil, mas o filme acerta exatamente por buscar o tempo todo a conexão emocional com a plateia, leitmotiv levantado nas cenas em que a banda insere as palmas como recurso de interação, culminando catarticamente na belíssima sequência em que Rami Malek, cuja voz foi amalgamada à de Mercury e do cantor canadense Marc Martel, recria com extrema riqueza de detalhes a apresentação vitoriosa da banda no Live Aid.

Há problemas estruturais, o diretor Bryan Singer, após se comportar várias vezes de forma antiprofissional no set de filmagens, foi demitido pelos produtores e substituído por Dexter Fletcher, que completou as duas semanas que ainda faltavam no cronograma. Esta turbulência criativa, infelizmente, se mostra aparente no produto final, a edição é errática, o que prejudica o ritmo na transição dos atos. No roteiro, McCarten comete os mesmos deslizes de melodrama pueril que exibiu em “A Teoria de Tudo”, reduzindo a personalidade complexa do protagonista aos gatilhos mais fáceis, os conflitos internos e externos são pincelados com a mão pesada de uma telenovela.

Na relação de Mercury com o guitarrista Brian May (Gwilym Lee), o baterista Roger Taylor (Ben Hardy) e o baixista John Deacon (Joseph Mazzello), a trama consegue inserir breves alívios cômicos que compensam a rapidez antinatural com que se estabelece a amizade, o senso de companheirismo é latente especialmente no terceiro ato, a câmera fortuitamente se afasta em alguns momentos do espetáculo encapsulado no carisma do vocalista para registrar sutis expressões de lacrimosa admiração nos rostos de seus colegas de palco. E tudo isto só funciona porque Malek é um tremendo ator, verdadeiramente abraçando em letra e espírito a força da natureza que foi Freddie Mercury.

Ao mirar no coração, apesar de seus problemas, “Bohemian Rhapsody” faz até mesmo o menos interessado se tornar fã ao final da sessão.

Cotação: 3 stars - Crítica de "Bohemian Rhapsody", de Bryan Singer

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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