Crítica de “Aquaman”, de James Wan

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Aquaman (2018)

Aquaman (Jason Momoa) aprende que não pode fazer tudo sozinho quando começa uma jornada com Mera (Amber Heard) em busca de algo muito importante para o futuro de Atlantis.

O carisma de Jason Momoa, encontrando o equilíbrio entre a caricatura embrutecida e a fragilidade emocional de alguém que, desde cedo, aprendeu que representa o fruto de uma relação que jamais deveria ter acontecido, merece ser salientado. A tarefa não era fácil, o material original sempre foi tratado com deboche, raros foram os artistas que conseguiram construir arcos interessantes para ele nos quadrinhos, mas o diretor James Wan consegue na maior parte do tempo se ater ao aspecto mítico da DC, com influências das lendas arturianas, preservando a dignidade do herói.

Na contramão de seus esforços, muitos diálogos expositivos e a utilização frequente de flashbacks, desde a tradicional origem, que toma os primeiros dez minutos, passando pela primeira aparição de um dos vilões principais, o texto tenta a todo momento explicar o que a imagem está mostrando, como, por exemplo, quando o personagem de Willem Dafoe pensa em voz alta, “eu prometi à mãe dele que iria protegê-lo”, durante uma sequência de ação, algo que já havia sido vendido no contexto da situação pela expressão aflita de seu rosto.  

O elenco principal está afinado em diapasões diferentes e contrastantes, pendendo para a austeridade sombria remanescente do conceito de Zack Snyder ou para as leves piadinhas consagradas da fórmula Marvel (polvos tocando bateria, um capanga precisando beber água de vaso sanitário e os heróis comendo pétalas de rosas, por exemplo), adotada pela DC através de Joss Whedon na reformulação de “Liga da Justiça”, por vezes, os personagens modificam radicalmente de comportamento na mesma cena. 

O maior problema está no segundo ato, que é estruturalmente confuso e, apesar de bastante agitado, acaba se tornando arrastado, já que as sequências de ação exalam aquela pura inconsequência narrativa de videogame, sem peso dramático orgânico (apenas a trilha sonora de Rupert Gregson-Williams tenta carregar nas costas este elemento, que só se justifica nos excelentes últimos vinte minutos de filme), dificultando para o espectador médio, aquele que não é fã de quadrinhos de super-heróis, manter o interesse no desenvolvimento da inegavelmente rasa trama. 

Por outro lado, aplaudo o notório tremendo esforço da equipe em entregar um produto que encante o público. Se “atiram para todo lado”, as chances de acertar são maiores do que se ousassem pouco. A direção de arte é primorosa, o mundo submarino não é apenas lindo, tudo nele soa coerente à estética do universo criado para a obra, transcendendo as limitações pueris do subgênero e tocando o terreno da elegante ficção científica. 

Apesar dos problemas no segundo ato, “Aquaman” é visualmente deslumbrante e, quando mantém seu foco no coração materno da trama, leitmotiv alicerçado no relacionamento entre a rainha atlante (Nicole Kidman) e o simplório faroleiro humano (Temuera Morrison), consegue emocionar. 

Cotação:  

3 stars 1024x194 - Crítica de "Aquaman", de James Wan

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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