“A Condessa Se Rende”, de Ernst Lubitsch (e Otto Preminger)

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A Condessa Se Rende (That Lady in Ermine – 1948)

Filmada em glorioso Technicolor, esta charmosa despedida de Lubitsch, que faleceu no oitavo dia de produção e foi substituído por Otto Preminger (que exigiu que o crédito fosse dado em respeito ao amigo), costuma passar fora do radar dos cinéfilos, uma comédia romântica musical que celebra o subgênero da opereta (Jeanette MacDonald, da clássica parceria com Nelson Eddy, era a primeira opção como protagonista), baseada em “Die Frau im Hermelin” (de Rudolph Schanzer e Ernst Welisch), consegue ser, em revisão, muito eficiente naquilo que se propõe a entregar nas “entrelinhas”, uma crítica irônica ao machismo na sociedade.

Betty Grable interpreta a condessa Angelina, cujo novo marido (Cesar Romero) deve fugir imediatamente após a cerimônia para escapar de um exército liderado por um coronel húngaro (Douglas Fairbanks Jr.). Ela está determinada a salvar seu castelo do coronel, assim como sua ancestral Francesca (também Grable), que outrora passou por situação semelhante, mas não estava em seus planos se apaixonar pelo inimigo. É uma trama farsesca deliciosamente insana com toques simpáticos de fantasia, mas, analisando o conteúdo de algumas cenas, percebemos que não é tão bobinha e inofensiva quanto esteticamente parece, especialmente considerando o contexto da época em que foi lançada.

Na ideia original de Lubitsch, levemente amenizada no produto final pela censura dos produtores, o personagem do coronel era o catalisador para a libertação sexual de Angelina. Não é coincidência que ele seja introduzido na história na noite de núpcias dela com seu marido, vale ressaltar, antes da consumação do ato. O elemento fantasmagórico da ancestral (sua sósia) que sai da pintura é metaforicamente a projeção de sua esperança de se livrar dos rituais sociais, do aprisionamento ao homem pelo matrimônio, do senso de pertencimento ao fazer do amor um contrato.

Apesar de seus problemas, como o desequilíbrio tonal evidente devido aos estilos diferentes dos dois diretores, “A Condessa Se Rende” merece ser redescoberta nos dias de hoje, em que a representatividade da mulher está sendo tão discutida na indústria, como uma obra pioneira na forma em que rejeita a passividade feminina.

Cotação: STAR 2.5 - "A Condessa Se Rende", de Ernst Lubitsch (e Otto Preminger)

  • O filme foi lançado em DVD pela distribuidora “Studio Classic Filmes”.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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