Crítica de “Meu Querido Filho”, de Mohamed Ben Attia

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Meu Querido Filho (Weldi – 2018)

A trama aborda a relação entre o jovem Sami (Ben Ayed), tímido e alvo de recorrentes doenças, e seus pais. Preocupado com a situação do filho, Riadh (Mohamed Dhrif), um pai zeloso, decide se aposentar para aproveitar mais a companhia do garoto. Mas, em meio aos trâmites para se aposentar, ele é avisado de que Sami desapareceu.

O ritmo excessivamente lento dos primeiros trinta minutos pode afastar boa parte do público, mas o estilo característico do diretor tunisiano, que prima pela introspecção contemplativa, como no anterior “A Amante”, desta feita, abraça com menos afeto o tema, proporcionando uma experiência emocionalmente distante, salvada esporadicamente da apatia pela atuação impecável de Mohamed Dhrif. O roteiro, estruturalmente elíptico, toca no espinhoso tema da afiliação de jovens ao ISIS na Síria.

Sami claramente se sente desconfortável nas vezes em que tenta se adequar aos rituais sociais de sua geração, ele é mimado pelos pais e, em seus olhos distantes, o espectador enxerga a perene sensação de vazio existencial, terreno fértil para manipuladores. Quando o protagonismo se volta efetivamente para a figura dolorida do pai, sempre “perseguido” de perto pela câmera, potencializando o simbolismo do fardo terrível que ele carrega, o leitmotiv da obra fica mais claro, o interesse está em evidenciar a solidão e o sentimento de desamparo comum às famílias da região.

A opção pelo desfecho em aberto pouco ajuda, a suavidade terna do início é esquecida, reforçando a desconexão empática do filme com qualquer pessoa que não seja diretamente relacionada à família dos envolvidos na produção. É tudo tão abstrato que, no terceiro ato, fica difícil realmente se importar minimamente com o que é mostrado.

Cotação: STAR 2.5 - Crítica de "Meu Querido Filho", de Mohamed Ben Attia

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Octavio Caruso
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