Crítica de “Praça Pública”, de Agnès Jaoui

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Praça Pública (Place Publique – 2018)

Castro (Jean-Pierre Bacri) costumava ser um apresentador de TV de sucesso, mas sua fama fica no passado. Quando sua produtora, Nathalie (Léa Drucker), se muda para o interior, ele vai à festa de abertura da casa e encontra sua ex-mulher, além de outros excêntricos convidados.

A cineasta Agnès Jaoui ainda não conseguiu repetir a mágica de seu trabalho de estreia, “O Gosto dos Outros”, de 2000, em que demonstrava senso de humor comparável aos melhores filmes de Woody Allen. Após alguns projetos bastante fracos, ela retorna com “Praça Pública”, uma notória evolução, mas ainda trôpega, com muita gordura extra, apesar da curta duração.

O roteiro estabelece no primeiro ato promissores possibilidades de afiadas críticas sociais, mas nunca alcança o tom provocador necessário para que o público invista emocionalmente na história. O desenvolvimento dos personagens é raso como em um folhetim televisivo, a leveza em excesso, neste caso, acaba deixando tudo ainda mais inverossímil, com reviravoltas que não se sustentam em revisão. Há uma clara tentativa de emular o ritmo do já citado “O Gosto dos Outros”, mas falta fôlego.

O debate sobre a influência negativa da utilização das redes sociais, a futilidade do material vazio que usualmente faz sucesso, apela para clichês tolos, apostando na repetição de gags, parece ter sido incluído às pressas. Já o deboche com a hipocrisia da alta sociedade é executado com muita competência, utilizando como microcosmo o ambiente da festa, evidenciando a falta de empatia com os vizinhos.

Entre (vários) erros e (alguns) acertos, a experiência satisfaz medianamente e resgata a esperança nos próximos passos criativos de sua diretora.

Cotação: STAR 2.5 - Crítica de "Praça Pública", de Agnès Jaoui

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Octavio Caruso
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