Crítica de “Guerra Fria”, de Pawel Pawlikowski

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Guerra Fria (Zimna Wojna – 2018)

Um homem (Tomasz Kot) e uma mulher (Joanna Kulig) se encontram nas ruínas da Polônia do pós-guerra. Com origens e temperamentos imensamente diferentes, eles são fatalmente incompatíveis e, no entanto, atraídos um pelo outro.

O roteirista/diretor polonês Pawel Pawlikowski chamou atenção internacional com seu filme anterior, “Ida” (2013), mas considero que “Guerra Fria” representa um amadurecimento criativo seguro e, principalmente, o equilíbrio perfeito entre estética e conteúdo, aprendendo a esculpir o tempo sem tornar a experiência entediante. O conceito de se trabalhar o efeito psicológico (e físico) da guerra nos indivíduos é poético, utilizando a óbvia ausência de química no casal, reforçada nos diálogos de brutal frieza, como símbolo do distanciamento entre as nações envolvidas.

A opção pela tela em 4:3 (quadrada), nadando contra a corrente da indústria que investe em resoluções cada vez mais altas e telas gigantescas, abraça ternamente o escopo intimista deste relacionamento condenado. Poucos filmes nos últimos anos conseguiram compor cenas tão bonitas, enquadramentos tão sensíveis, momentos dignos verdadeiramente de serem emoldurados, mérito da fotografia em preto e branco de Lukasz Zal. É embasbacante ver a elegância artística tentando alegoricamente se impor, como o casal, audaciosamente buscando estabelecer uma relação de afeto perante o contexto sociopolítico de destruição de vínculos. Para os apaixonados por literatura, há muito do espírito de “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera, na essência da obra.

Não é um filme comercial, não vai agradar aqueles anestesiados/acostumados apenas com o fast food hollywoodiano, “Guerra Fria”, dedicado aos pais do diretor, que deram nome aos protagonistas, é uma declaração de amor sofrida e profundamente humana.

Cotação: stars1 - Crítica de "Guerra Fria", de Pawel Pawlikowski

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Octavio Caruso
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