Crítica de “Vice”, de Adam McKay

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Vice (2018)

A ascensão de Dick Cheney (Christian Bale) ao se tornar um dos homens mais poderosos do mundo. Vice-presidente de George W. Bush (Sam Rockwell), ele remodelou os Estados Unidos e o mundo, gerando mudanças que permanecem até os dias de hoje. 

O estilo do roteirista/diretor Adam McKay é espirituoso, conscientemente displicente, algo que cabia como luva no contexto de seu filme de estreia: “O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy”, só que o exagero na utilização dos recursos narrativos espertinhos trabalha contra a imersão, por mais interessado que você esteja na história que está sendo contada, o tom te retira da experiência, faz com que a atenção seja direcionada para a forma, não para o conteúdo. No oceano de distrações que se estende até a péssima cena durante os créditos finais, ideias realmente brilhantes como o debochado desfecho prematuro, criticando a visão romantizada das cinebiografias hollywoodianas, acabam tendo seu efeito minimizado.

A atuação de Christian Bale, que engordou bastante para viver o protagonista na idade adulta, afinada no diapasão realista, acaba sendo prejudicada pelos artifícios de montagem (inteligente nas analogias entre a ascensão ao poder político e a pescaria, mas, infelizmente, primando por um pretensiosismo vazio na maioria das vezes) e pela utilização frequente da narração sarcástica de Jesse Plemons, reforçando o confronto entre a caricatura tola proposta pelo filme e a humanização objetivada pelo ator.

McKay deixa claro em sua verborragia que se considera muito mais inteligente do que os personagens (e até o público), uma postura artisticamente arrogante que enfatiza o elemento patético naquelas figuras e procura humilhá-las a todo momento, em suma, a execução de “Vice” consegue ser mais tóxica do que o material abordado.

Cotação: 2 stars - Crítica de "Vice", de Adam McKay

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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