Crítica de “Meditation Park”, de Mina Shum

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Meditation Park (2018)

Maria Whang (Pei-Pei Cheng), dedicada esposa, mãe, avó e imigrante chinesa de 60 anos, vê sua vida mudar completamente quando descobre uma peça íntima de outra mulher no bolso da calça de seu marido; fato que a faz encarar o quão dependente dele havia se tornado durante todo seu casamento. Maria, encorajada pela filha Ava (Sandra Oh), parte em uma inesperada jornada de autoconhecimento, descobertas e uma liberdade jamais obtida anteriormente em sua vida.

A roteirista/diretora canadense (nascida em Hong Kong) Mina Shum estreou em 1994, com a pérola pouco lembrada “Double Happiness”, protagonizada por Sandra Oh, mas dedicou boa parte de sua carreira à televisão, fez alguns curtas e um documentário, retornando à ficção com este “Meditation Park”, que, com elegância e humor, aborda um tema espinhoso, a reinvenção psicológica de uma mulher aos 60 anos, após décadas imersa como esposa nos rituais submissos de sua sociedade.

A intenção de entregar um produto comercialmente atrativo para o grande público é perceptível na forma como a emoção é trabalhada em algumas cenas, não é o típico indie umbilical, algo que considero louvável. Há ternura na jornada e leveza na execução, o ritmo é lento, o tom é contemplativo, mas o roteiro facilita o investimento do espectador na narrativa. Não há como não se encantar com a pureza de Maria, sempre disposta a oferecer um sorriso acolhedor a qualquer pessoa que cruze seu caminho, discreta e amável, ela ganha o coração do público já nos primeiros cinco minutos.

Ava, a filha, comportamentalmente antagônica à mãe, representa a independência pessoal e profissional das mulheres modernas, capaz de absorver as tradições e adaptá-las com desenvoltura para a rotina, descartando com objetividade aquelas que não agregam positivamente. Ela terá papel fundamental na transformação da mãe, que, mesmo consciente do ocorrido, parece não ser capaz de compreender sozinha o alcance danoso de sua minimização gradativa. Este elemento é o que mantém o coração do filme pulsando, mesmo quando a engrenagem fica muito aparente, como na exposição dramaticamente exagerada da calcinha que causou a ruptura, ou as repetitivas tentativas do neto em aprender cantonês.

Apesar de contar estruturalmente com alguns vícios televisivos de linguagem, principalmente na opção pelos planos fechados, o resultado é digno, correto, instigando uma reflexão importante ao final da sessão.

Cotação: 3 stars - Crítica de "Meditation Park", de Mina Shum

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Octavio Caruso
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