Crítica de “A Grande Dama do Cinema”, de Juan José Campanella

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Campanella

A Grande Dama do Cinema (El Cuento de las Comadrejas – 2019)

Formando um grupo improvável, uma antiga estrela (Graciela Borges) do cinema mundial, um ator (Luis Brandoni) nos últimos dias de vida, um roteirista (Marcos Mundstock) frustrado e um diretor (Oscar Martínez) peculiar, fazem de tudo para preservar o universo lúdico que criaram dentro de uma clássica mansão. Quando dois jovens (Clara Lago e Nicolás Francella) chegam ao local e ameaçam botar tudo a perder, eles precisam tomar atitudes drásticas.

Antes de ver este novo projeto do argentino Juan José Campanella, tive contato com o filme original, “Los muchachos de antes no usaban arsénico”, de 1976, dirigido pelo José A. Martínez Suárez, já que se encontra disponível no Youtube. Com exceção da ideia central, não me cativou, tem bons momentos, mas sua execução é pouco inspirada.

Campanella, dos ótimos “O Filho da Noiva”, “O Mesmo Amor, a Mesma Chuva” e “O Segredo dos Seus Olhos”, responsável por tornar seu nome conhecido e respeitado mundialmente, peca na desnecessariamente longa duração, além de pesar a mão no melodrama engessado, trocando as funções do médico e do administrador, que viraram diretor e roteirista, estreitando a alegoria com o cinema, especificamente com o clássico “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder.

As opções pensadas para evidenciar visualmente o embate entre os veteranos e o casal de jovens não funcionam organicamente, partidas de xadrez, sinuca, tudo muito bobinho, intelectualmente nivelado por baixo, com cara de especial televisivo de final de ano, algo que choca especialmente quando comparamos com o currículo do roteirista/diretor. E o incômodo só aumenta quando, no terceiro ato, o roteiro se debruça sem receio no humor pastelão. Nem mesmo a presença da grande Graciela Borges, vivendo a patética estrela esquecida, consegue facilitar a imersão emocional. Há coração, mas o interesse parece estar mais na estética do que no desenvolvimento de sequências que favoreçam a catarse proposta no desfecho.

Vale pelos diálogos espirituosos abordando a frágil vaidade e pela crítica feita sobre a ambição sem limites, até estimulada nos dias de hoje, que desconsidera valores éticos e, principalmente, ignora a necessária empatia.

Cotação: STAR 2.5 - Crítica de "A Grande Dama do Cinema", de Juan José Campanella

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