Crítica de “Turma da Mônica – Laços”, de Daniel Rezende

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Turma da Mônica – Laços (2019)

Floquinho, o cachorro do Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver grandes aventuras para levar o cão de volta para casa.

O cinema brasileiro direcionado especificamente às crianças é pouco expressivo, ele se resume basicamente às populares produções dos Trapalhões, “As Quatro Chaves Mágicas” (1971) e “Menino Maluquinho” (1994), com pérolas adicionais que não sobreviveram tão bem ao teste do tempo, como “O Saci” (1951) e “O Meu Pé de Laranja Lima” (1970), mas, no geral, até os melhores títulos soam engessados, carecem de ternura. O sempre competente Daniel Rezende entra no jogo e entrega um produto comercialmente inteligente que consegue equilibrar a sua linda intenção com uma execução muito eficiente, e, principalmente, esbanjando ternura.

Outro acerto é se manter coerente em estilo com a graphic novel homônima dos irmãos Vitor e Luciana Cafaggi, que referencia diretamente clássicos do cinema infanto-juvenil da década de 80, principalmente “Conta Comigo” e “Os Goonies”, não há sequer tentativa de fincar os pés no terreno realista, a magia está exatamente em ser fiel à caricatura doce que garante a atemporalidade da obra nos quadrinhos. E este elemento é beneficiado pela incrível seleção do elenco infantil, Kevin, Giulia, Laura e Gabriel conquistam o público logo em suas primeiras cenas, o leitmotiv da amizade se vende facilmente em cada olhar trocado entre eles. Não é só carisma natural, a garotada verdadeiramente compreende a essência dos personagens.

A forma como o roteiro de Thiago Dottori estabelece inicialmente as “limitações” comportamentais de cada membro da turma (e até de seus pais), para no terceiro ato mostrar eles vencendo estas barreiras em prol do bem maior é, ainda que afinado no diapasão cômico, tocante, metaforicamente poderoso e, ao mesmo tempo, simples, direto. A figura do Louco (Rodrigo Santoro) encaixa bem neste contexto alegórico, entretendo os menores com truques de câmera espertamente engendrados pela equipe técnica e, mais que isto, transmitindo uma mensagem importante sobre desprendimento de ritos sociais para os adultos que estão reencontrando suas crianças internas na sala escura.

Vale destacar o respeito profundo e carinhoso com o material original, dos traços peculiares de cada personagem à direção de arte que nos faz sentir o aroma das frutas das árvores neste universo em que eles habitam. A trilha sonora de Fabio Goes facilita esta imersão emotiva ressaltando o senso de perigo nas cenas da floresta e o deslumbramento exploratório comum aos melhores contos de amadurecimento.

Como é bom saber que o mestre Mauricio de Sousa recebe em vida esta linda homenagem, com direito a uma ponta encantadora que vai emocionar fãs antigos e novos. “Turma da Mônica – Laços” é impecável naquilo que se propõe a ser, divertindo crianças e adultos, deixando ao final da sessão o desejo por novas aventuras cinematográficas. Bravo!

Cotação: stars1 - Crítica de "Turma da Mônica - Laços", de Daniel Rezende

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