Crítica de “Ad Astra – Rumo às Estrelas”, de James Gray

0

Ad Astra – Rumo às Estrelas (Ad Astra – 2019)

O astronauta Roy McBride (Brad Pitt) assume uma missão através de um sistema solar implacável para descobrir a verdade sobre seu pai desaparecido e sua expedição condenada, que agora, 30 anos depois, ameaça o universo.

O trailer comete o equívoco de vender para o público uma genérica aventura espacial, algo que pode frustrar o espectador casual, a surpresa que aguarda o cinéfilo dedicado na sala escura é que se trata de uma alegoria futurista muito sensível, ainda que problemática, sobre as consequências psicológicas da ausência paterna.

“O futuro próximo. Um tempo de esperança e conflito. A humanidade olha para as estrelas buscando vida inteligente e a promessa de progresso.”

O letreiro inicial dá o tom, insinuando que o indivíduo procura sempre no elemento externo, no outro, a benesse, ou, no caso de Roy, uma justificativa fácil para seus fracassos pessoais, uma muleta que o impede de verdadeiramente amadurecer e seguir em frente com paz de espírito.

O protagonista é apresentado enquanto está afirmando com voz serena a sua capacidade de se manter focado, calmo, sem distrações, sem erros, em suma, desprovido de humanidade, logo, imune ao sofrimento. A cabeça baixa, os olhos não encaram a câmera, a sua narração tristemente defende que até seu sorriso é uma atuação meticulosamente construída. Ele é um astronauta, o isolamento é uma escolha consciente, confortável, um recurso de autoproteção existencial.

O roteirista/diretor James Gray opta por uma abordagem excessivamente contemplativa, alguns segmentos são arrastados, o desfecho é indesculpavelmente tolo e a longa duração prejudica a absorção sensorial, já que o filme não fornece estofo narrativo para que haja genuíno investimento emocional na jornada. A esposa, vivida por Liv Tyler, que poderia preencher esta lacuna, representando um mínimo e necessário melodrama, acaba sendo reduzida à alguns olhares preocupados em direção ao nada, qualquer figurante poderia tomar seu lugar. Já Brad Pitt, em ótimo momento na carreira, acerta ao adotar um exercício minimalista, internalizando as ações.

O tema é muito interessante, a atmosfera dos primeiros vinte minutos é brilhante, emulando a racionalização kubrickiana de “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, mas “Ad Astra” logo revela que o “rei está nu”, pecando no básico, em sua execução.

Cotação: STAR 2.5 - Crítica de "Ad Astra - Rumo às Estrelas", de James Gray

RECOMENDAMOS


Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here