Crítica de “Rambo – Até o Fim”, de Adrian Grunberg

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Rambo – Até o Fim (Rambo – Last Blood – 2019)

O tempo passou para Rambo (Sylvester Stallone), que agora vive recluso em um rancho. Sua vida marcada por lutas violentas ficou para trás, mas deixou marcas inesquecíveis. No entanto, quando uma jovem de uma família amiga é sequestrada, Rambo precisará confrontar seu passado e resgatar suas habilidades de combate para enfrentar o mais perigoso cartel mexicano. A busca logo se transforma em uma caçada por justiça, onde nenhum criminoso será perdoado.

Eu sempre digo que profissionalismo não está relacionado ao porte do veículo da imprensa ou à alta remuneração do funcionário, já faz tempo que jornais brasileiros outrora respeitados estão passando VERGONHA na área de critica cinematográfica, injetando militância política nos critérios de análise ou cometendo equívocos grosseiros como não avaliar a obra por aquilo que ela se propõe a ser.

Eles estão problematizando tudo, o alvo da vez é Rambo. Lendo textos de alguns colegas, inclusive de sites de cultura pop, percebo que eles esperavam que o velho soldado do Coronel Trautman tivesse virado vegano, criado uma ONG, ou, quem sabe, passasse seus dias de aposentadoria cantando “Imagine” e fazendo pombinha com as mãos, enquanto joga Truco com outros veteranos de guerra. Violência estúpida, maniqueísmo e metáforas infantiloides, só vale se for “Bacurau”, aí é bonequinho aplaudindo de pé. Se você é destes que deseja ver Stallone na tela escrevendo “amigxs” e penteando um felpudo Yorkshire, fique em casa, a última aventura do personagem criado por David Morrell não é direcionada à insuportável geração mimimi.

O roteiro conscientemente evita os clichês visuais, começamos o filme acompanhando John, não a caricatura de cabelos longos e faixa vermelha. Após o retorno ao lar, ao final da quarta aventura, ele finalmente encontrou paz, as pílulas que toma controlam seu temperamento, a sua rotina agora se resume à exercitar seu cavalo no rancho. A alegoria é simples e eficiente, a superfície aparenta mansidão, mas os punhos embrutecidos seguem cerrados, ele ainda vive prisioneiro nos túneis subterrâneos de seus traumas, ele ainda escuta as vozes daqueles que não conseguiu salvar. A jovem Gabrielle (competente Yvette Monreal), sobrinha do coração, o símbolo de pureza, réstia de esperança no futuro que ele ainda se permite alimentar, acaba agindo por impulso e é sequestrada por um cartel no México.

O primeiro ato é muito equilibrado, ambientando o espectador nesta nova etapa na vida do protagonista, conseguindo o mais importante, fornecer material para que o público invista emocionalmente no relacionamento estabelecido entre John, Gabrielle e Maria (Adriana Barraza), a mulher simples que trabalhou a vida inteira na casa de seu pai. As lágrimas brotam naturalmente em um momento importante, engatilhando a catarse incrivelmente recompensadora que ocorre nos últimos trinta minutos. Stallone já havia elevado o nível de violência no anterior, mas consegue se superar neste, alcançando o gore do mais brutal terror, opção que é coerente à metáfora trabalhada nas palavras de Trautman em “Rambo 2 – A Missão”, a guerra está nele, o inferno de qualquer pessoa é seu lar, a aproximação da finitude é o único terreno que ele desconhece, algo que apenas deixa ele ainda mais acuado, por conseguinte, intensamente agressivo.

O diretor Adrian Grunberg tem vasta experiência no gênero de ação, tendo trabalhado como assistente em títulos como “Apocalypto”, “Chamas da Vingança” e a série “Narcos”, além de ter comandado o ótimo “Plano de Fuga”. Ele trabalha as sequências mais impactantes com segurança, inteligentemente inserindo em momentos-chave ecos perceptíveis de passagens do filme original, injetando necessária nostalgia reverente aos fãs. A reação das pessoas na sala de cinema é surpreendente, ainda mais se levarmos em conta o estado de torpor anestésico de uma sociedade castigada pela impunidade e corrupção.

Adultos boquiabertos por vários minutos, vibrando a cada ação do eterno soldado, respondendo à provocação com o sorriso da criança que sabe discernir entre a realidade e a fantasia, abraçando por um par de horas aquele delírio pulp, testemunhando na despedida a transformação do homem em mito, como os cowboys do Velho Oeste, cavalgando em direção ao pôr do sol.

Cotação: Azhar movie Star Ratings 2 - Crítica de "Rambo - Até o Fim", de Adrian Grunberg

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Octavio Caruso
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