Tesouros da Sétima Arte – “O Cão Que Guarda as Estrelas”, de Takimoto Tomoyuki

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O Cão Que Guarda as Estrelas (Hoshi Mamoru Inu – 2011)

O filme começa quando o corpo de um homem (Toshiyuki Nishida) é encontrado perto de uma pequena cidade em Hokkaido. Os investigadores acreditam que está morto há seis meses, mas nas proximidades são encontrados também os restos de um cachorro. É então que um funcionário local, chamado Okutsu (Tetsuji Tamayama), descobre o recibo de compra de um carro abandonado deixado em campo, levando o detetive a refazer os passos finais do misterioso homem de meia-idade e seu cão fiel.

No início do ano consegui finalmente ler um mangá que sempre me indicaram, “O Cão Que Guarda as Estrelas”, de Takashi Murakami, lançado por aqui pela editora JBC. Talvez tenha sido a experiência mais emocionante que já tive com a leitura de uma revista em quadrinhos, virei a madrugada molhando as páginas com minhas lágrimas, sinceramente tive até dificuldade de enxergar os desenhos em alguns momentos.

O tema é muito sensível, mas o autor não apela para o melodrama simplório, o que encanta é a sinceridade em seu texto. Dias depois, estudando sobre a obra na internet, descobri que havia uma adaptação cinematográfica. Após o tradicional garimpo, já que nunca foi lançada oficialmente no Brasil, relaxei na poltrona e me preparei psicologicamente para o impacto deste tesouro escondido.

O roteiro de Hiroshi Hashimoto, apesar de compreensivelmente modificar o elemento mais encantador do material, a narração pelo ponto de vista do cão, decidindo alternar a ordem dos eventos, iniciando com o relato de Okutsu, consegue captar a essência da história, sintetizada na simbologia de seu título original, o desejo pelo inalcançável, representando o amor gratuito e a fidelidade do animal por seu dono. O público fica sabendo dos acontecimentos à medida em que as revelações nas investigações do rapaz são exploradas, recurso que potencializa sensorialmente a carga dramática do terceiro ato.

A direção de Tomoyuki Takimoto elegantemente envereda pelo sentimentalismo, com leveza, sem exagerar, até porque não é necessário, a trama já emociona por seu foco, em flashbacks durante a jornada, no desenvolvimento das motivações do idoso “pai humano”, doente, solitário e consciente de que a única coisa real que resta no crepúsculo de sua vida é o carinho do companheiro de quatro patas, Happy, um belo Akita Inu.

Fiel ao clima do mangá, o filme é um tesouro que merece ser garimpado, incitando uma bonita reflexão ao final, a necessidade de se alimentar um propósito na vida, e, principalmente, na subtrama da adolescente que acompanha Okutsu, a compreensão de que é sempre válido perdoar e refazer laços.

Cotação: Azhar movie Star Ratings 2 - Tesouros da Sétima Arte - "O Cão Que Guarda as Estrelas", de Takimoto Tomoyuki

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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