Clássicos Sci-Fi: “O Ataque da Mulher de 15 Metros” e “Os Invasores de Marte”

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O Ataque da Mulher de 15 Metros (Attack of the 50 Foot Woman – 1958)

Uma mulher (Allison Hayes) alcoólatra em apuros com seu marido (William Hudson) ganancioso tem a vida radicalmente mudada após um encontro com um gigante extraterrestre que a faz crescer até atingir 15 metros de altura.

Roteiros sobre os efeitos da radiação eram comuns na década de 50, mas apenas esta joia independente, filmada em apenas 8 dias, típica double feature (produções baratas pensadas para exibições duplas nas salas, conceito imortalizado na canção-tema de “The Rocky Horror Picture Show”) ousou colocar como ameaça uma esposa traída e vingativa de 15 metros.

Os truques visuais agressivamente datados agregam charme à trama simples, dirigida pelo austríaco Nathan Juran, popularmente conhecido por “Simbad e a Princesa”, lançado no mesmo ano, mas que traz em seu currículo a direção de arte de grandes obras como “Como Era Verde o Meu Vale”, “Winchester ’73” e “Meu Amigo Harvey”.

Se você entende a proposta despretensiosa, vai se divertir, imaginando a reação dos adolescentes na época, entre um beijo e outro, estacionados no Drive-in lotado, gargalhando com a imagem da mulher gigante destruindo o teto do bar e espremendo o marido em sua mão.

Os Invasores de Marte (Invaders From Mars – 1953)

Da janela de seu quarto, um garoto (Jimmy Hunt) testemunha o pouso de um disco voador que fica escondido sob o solo. O garoto percebe que todos que chegam perto desaparecem por algum tempo e voltam com uma marca na nuca, totalmente diferentes e insensíveis, mas o problema é que ninguém acredita nele.

William Cameron Menzies foi diretor de arte em diversos medalhões da era de ouro, como “E o Vento Levou” (recebeu um Oscar honorário), “Por Quem os Sinos Dobram” e “O Ladrão de Bagdá”, mas também comandou pérolas sci-fi, como “Daqui a Cem Anos” (1936), adaptação da obra de H.G. Wells, e, já no período mais frutífero para o gênero, “Os Invasores de Marte”.

O tom é fabulesco, onírico, há espaço até para uma referência à “O Mágico de Oz” em seu desfecho. Menzies prioriza a construção de uma atmosfera imersiva, com o design surrealista (perceptível legado do expressionismo alemão) de cenários propositalmente insólitos, como a delegacia de polícia, potencializando esta sensação de estranheza.

Por trás dos efeitos obviamente datados, prejudicados pelo corte no orçamento quando o artifício do 3D foi descartado pelos produtores, algo na estrutura de sua narrativa faz com que ele ainda seja discutido e lembrado com carinho, algo que fala mais ao coração, transmitido através da perspectiva de uma criança (toque engenhoso do roteiro), a noção de que o conformismo é, acima de tudo, perigoso.

Vários filmes nos anos seguintes beberam generosamente desta fonte, que injustamente acabou sendo eclipsada através das décadas, como “Vampiros de Almas” e “Os Invasores de Corpos”, além de seriados como “Arquivo X”.

Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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