Os Invasores de Marte (Invaders From Mars – 1953)

Da janela de seu quarto, um garoto (Jimmy Hunt) testemunha o pouso de um disco voador que fica escondido sob o solo. O garoto percebe que todos que chegam perto desaparecem por algum tempo e voltam com uma marca na nuca, totalmente diferentes e insensíveis, mas o problema é que ninguém acredita nele.

William Cameron Menzies foi diretor de arte em diversos medalhões da era de ouro, como “E o Vento Levou” (recebeu um Oscar honorário), “Por Quem os Sinos Dobram” e “O Ladrão de Bagdá”, mas também comandou pérolas sci-fi, como “Daqui a Cem Anos” (1936), adaptação da obra de H.G. Wells, e, já no período mais frutífero para o gênero, “Os Invasores de Marte”.

O tom é fabulesco, onírico, há espaço até para uma referência à “O Mágico de Oz” em seu desfecho. Menzies prioriza a construção de uma atmosfera imersiva, com o design surrealista (perceptível legado do expressionismo alemão) de cenários propositalmente insólitos, como a delegacia de polícia, potencializando esta sensação de estranheza.

Por trás dos efeitos obviamente datados, prejudicados pelo corte no orçamento quando o artifício do 3D foi descartado pelos produtores, algo na estrutura de sua narrativa faz com que ele ainda seja discutido e lembrado com carinho, algo que fala mais ao coração, transmitido através da perspectiva de uma criança (toque engenhoso do roteiro), a noção de que o conformismo é, acima de tudo, perigoso.

Vários filmes nos anos seguintes beberam generosamente desta fonte, que injustamente acabou sendo eclipsada através das décadas, como “Vampiros de Almas” e “Os Invasores de Corpos”, além de seriados como “Arquivo X”.

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Viva você também este sonho...

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