Crítica de “O Farol”, de Robert Eggers

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O Farol (The Lighthouse – 2019)

Início do século XX. Thomas Wake (Willem Dafoe), responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson) para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor.

O roteirista/diretor Robert Eggers surpreendeu o mundo com a pérola “A Bruxa”, mas retorna agora, novamente amparado pela excelente produtora A24, desta vez com a colaboração do irmão Max, curiosamente optando por um caminho narrativo ainda mais hermético e artisticamente pretensioso.

O grande acerto inegável, além das atuações brilhantes de Willem Dafoe e Robert Pattinson, é o tom estabelecido já nos primeiros minutos, a construção impecável de uma atmosfera onírica hipnótica e verdadeiramente perturbadora, que sensorialmente incomoda com um design de som antinaturalmente intrusivo. A experiência incrivelmente imersiva é reforçada pela utilização do 35mm, com razão de aspecto 1.19:1 (imageticamente enclausurando ainda mais os personagens e, por conseguinte, aproximando-os desconfortavelmente do público), na fotografia em preto e branco de alto contraste assinada por Jarin Blaschke.

O obstáculo no percurso é que o roteiro, na prática, aposta na obviedade, decidindo colocar na conta da “loucura” a falta de coesão, além do total desinteresse em aliviar minimamente o aspecto subjetivo da história, concessão criativa que seria mercadologicamente compreensível e, principalmente, traria sabor especial para uma execução que é, escolha consciente ou não, desprovida de alma.

Até mesmo a referência à obra de Lovecraft que muitos colegas críticos estão enxergando, o próprio diretor já negou enfaticamente, citando que a comparação até o entristece, logo, muitos destes elogios estão sendo alimentados por figuras que estão sendo identificadas em nuvens argumentativas. Não há material na trama que sustente sequer um média-metragem, logo, após o considerável impacto inicial, a experiência se torna um pouco cansativa. Há mais da sutileza de Edgar Allan Poe no estilo trabalhado por Eggers, do que a exuberância dos Mitos de Cthulhu.

A proposta de “O Farol” é simples, estimular a imaginação de cada espectador, algo que ele faz com competência.

Cotação: 3 stars - Crítica de "O Farol", de Robert Eggers

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Octavio Caruso
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