Crítica de “Jexi – Um Celular Sem Filtro”, de Jon Lucas e Scott Moore

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Jexi – Um Celular Sem Filtro (Jexi – 2019)

Phil (Adam Devine) é um rapaz que não tem amigos e sua vida amorosa é inexistente. Ele se depara com os serviços de inteligência artificial da Jexi (voz de Rose Byrne) quando é forçado a atualizar seu telefone. Com a espirituosa Jexi, ele tem companhia e orientação em tudo o que faz. 

O gênero da comédia não é valorizado pela crítica, a maioria dos meus colegas despreza solenemente estas estreias, mas gosto bastante do trabalho dos diretores Jon Lucas e Scott Moore em “Perfeita é a Mãe!” (2016), fiz questão de prestigiar este novo projeto, que brinca despretensiosamente com o conceito filosófico da pérola “Ela”, de Spike Jonze, que abordava de forma engenhosa a relação entre solidão e tecnologia. O que importa é se a execução é boa, se o roteiro cumpre bem sua função, se o elenco está afinado no mesmo diapasão, em suma, qualquer análise que não respeite em sua essência a proposta da obra está fadada à injustiça. E, sim, “Jexi” faz rir do início ao fim, vale o preço do ingresso.

O filme já acerta ao iniciar com uma breve montagem mostrando o protagonista na infância e na adolescência, profundamente entediado em situações familiares normais, desejando o escapismo eletrônico. E, como vemos logo depois, quando sua versão adulta caminha na rua, ele é apenas mais um robô de olhos fixos na telinha do smartphone, alimentando diariamente nas redes sociais uma falsa e infantilizada vida em constante céu de brigadeiro. Não é saudável entretenimento, está mais para uma melancólica dependência emocional, a imagem de um bebê no carrinho segurando sua babá digital reflete a realidade da parentalidade irresponsável.

Phil (Devine) trabalha em uma empresa que, consciente da demanda, trata clientes como figuras patéticas desprovidas de personalidade, bolando matérias puramente tolas, quase sempre envolvendo gatinhos fofinhos, porque o chefe autoritário, vivido com hilário histrionismo por Michael Peña, sabe que o público anseia ser subestimado, valoriza apenas bobagens inofensivas, logo, estimula nos funcionários ideias bobocas que sejam virais (como “felinos que parecem o Ryan Gosling”). Qualquer pessoa que trabalhe com cultura na internet e dependa do interesse alheio reconhece imediatamente a crítica comportamental certeira.

Analisando a reação intensamente negativa de boa parte dos colegas críticos lá fora, sendo aquele vintage deslocado que prioriza a utilização da internet no notebook e na mesa de trabalho, eu começo a pensar se um dos fatores para este incômodo não foi o inesperado reconhecimento no reflexo do espelho.

Cotação: 3 5 stars - Crítica de "Jexi - Um Celular Sem Filtro", de Jon Lucas e Scott Moore

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Octavio Caruso
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